Um conjunto de estudos globais está ajudando a responder uma das perguntas mais antigas da psicologia: em que momento da vida as pessoas são mais felizes? A ciência aponta que a satisfação pessoal atinge seu ponto mais baixo por volta dos 49 anos — mas, ao contrário do que muitos imaginam, a partir daí ela volta a subir, e de forma consistente, até a velhice.
Uma pesquisa conduzida pela Universidade de Warwick reforça a teoria de que o bem-estar emocional segue um formato de curva em “U”. A análise, feita com mais de 10 mil pessoas no Reino Unido e nos Estados Unidos, indica que a felicidade começa alta na juventude, despenca ao longo da meia-idade e volta a crescer na terceira idade.
A Agência de Notícias do Azerbaijão reforça os achados: mesmo com a redução da vitalidade física após a meia-idade, o bem-estar mental tende a melhorar. Ou seja, ficamos fisicamente mais frágeis, porém emocionalmente mais fortes.
Segundo o estudo da Universidade de Warwick, isso ocorre porque, ao envelhecer, as pessoas se tornam mais resilientes e menos pressionadas por expectativas externas.
Outro dado curioso: pessoas que dormem entre seis e oito horas por noite apresentaram melhor saúde física e mental, sugerindo que hábitos de descanso influenciam diretamente na percepção de felicidade.
Segundo o pesquisador Dr. Saverio Stranges, responsável pelo estudo, o aumento do bem-estar mental na velhice está ligado à maturidade emocional.
“As pessoas desenvolvem melhores habilidades de enfrentamento ao longo da vida”, explicou o especialista.
Para ele, indivíduos mais velhos tendem a lidar melhor com frustrações e pressões do que os mais jovens, o que contribui para níveis maiores de satisfação.
Stranges também destaca outro fator:
“Pode haver uma redução das expectativas em relação à vida, o que diminui a autocrítica nas esferas pessoal e profissional.”
Estudo global confirma: felicidade atinge o fundo do poço aos 49 anos
Um segundo levantamento, ainda mais robusto, analisou dados de 14 milhões de pessoas em 208 países, segundo publicação no Journal of Economic Behavior & Organization. A pesquisa, liderada por um economista britânico, buscou entender como o bem-estar varia mundialmente sob diferentes condições sociais e culturais.
Os pesquisadores utilizaram 21 indicadores de sofrimento emocional e físico, entre eles:
- ansiedade crônica;
- sensação contínua de fracasso;
- estresse diário;
- isolamento;
- dores persistentes;
- problemas de sono.
O resultado foi surpreendentemente uniforme: a felicidade atinge seu ponto mais baixo aos 49 anos, independentemente de fatores como renda, escolaridade ou estado civil.
Esse período coincide com o que muitos chamam de “crise da meia-idade”, um momento marcado por reflexões profundas, aumento das responsabilidades e percepção mais nítida da finitude da vida.




