Considerado o homem mais rico do mundo e apontado como um potencial primeiro trilionário da história, Elon Musk prometeu, em 2021, vender ações da Tesla para ajudar a combater a fome no mundo — desde que a Organização das Nações Unidas (ONU) detalhasse exatamente como o dinheiro seria gasto. A ONU aceitou o desafio, apresentou os cálculos e um plano detalhado. Quase cinco anos depois, porém, o bilionário não voltou a se pronunciar sobre o tema.
De acordo com estimativas da revista Forbes, Musk acumula hoje uma fortuna avaliada em cerca de US$ 671,5 bilhões, valor superior ao Produto Interno Bruto (PIB) da maioria dos países da América do Sul. Diante disso, representantes da ONU afirmaram que o empresário teria condições financeiras de ajudar milhões de pessoas sem comprometer significativamente seu patrimônio.
A polêmica começou após declarações de David Beasley, então diretor do Programa Mundial de Alimentos (PMA), em entrevista à CNN. Na ocasião, Beasley afirmou que US$ 6,6 bilhões seriam suficientes para evitar a fome extrema de dezenas de milhões de pessoas ao redor do mundo.
A resposta de Musk veio pelas redes sociais. Em publicação no X (antigo Twitter), o empresário afirmou que doaria o valor, desde que a ONU explicasse de forma clara e transparente como o dinheiro seria utilizado.
O desafio foi prontamente aceito.
O plano apresentado pela ONU
Ainda em 2021, David Beasley divulgou um sumário executivo detalhando como os recursos poderiam ser empregados para ajudar mais de 40 milhões de pessoas em pelo menos 43 países, onde a insegurança alimentar atingia níveis críticos.
Segundo o documento:
- US$ 3,5 bilhões seriam destinados à compra e entrega direta de alimentos;
- US$ 2 bilhões seriam usados em transferências de dinheiro e vales-alimentação, em regiões onde os mercados locais funcionam;
- Os US$ 1,1 bilhão restantes serviriam para a gestão de novos programas alimentares, logística e coordenação da cadeia de suprimentos.
Apesar da divulgação do plano e da repercussão global, Musk nunca confirmou se faria a doação, nem comentou publicamente o assunto após a apresentação dos cálculos.
Fome no mundo segue em alta
Enquanto o debate esfriou nas redes sociais, a situação global da fome piorou. Um relatório da ONU divulgado em 2025 aponta que a insegurança alimentar aguda e a desnutrição infantil aumentaram pelo sexto ano consecutivo, afetando mais de 295 milhões de pessoas em 53 países.
“O Relatório Global sobre Crises Alimentares de 2025 apresenta um quadro surpreendente”, afirmou Rein Paulsen, diretor de Emergências e Resiliência da FAO.
“Conflitos, extremos climáticos e choques econômicos são os principais fatores, e muitas vezes eles se sobrepõem”, acrescentou.
Além disso, a ONU alerta para uma possível piora do cenário em 2025, com a maior queda já registrada no financiamento humanitário para alimentos, estimada entre 10% e mais de 45%.




