Depois das festas e exageros, muita gente busca soluções rápidas para acabar com a ressaca — de suar na academia a passar horas na sauna. Mas, segundo a ciência, não existe atalho para “curar” a ressaca. O que há são estratégias para aliviar os sintomas enquanto o corpo faz, no seu próprio ritmo, o trabalho pesado de eliminar o álcool.
A ideia de que suar ajuda a “desintoxicar” o organismo é um mito. Quem realmente lida com o álcool ingerido é o fígado, órgão responsável por metabolizar o etanol e seus subprodutos. A pele, por sua vez, tem como principal função regular a temperatura corporal — e não eliminar toxinas.
Mesmo durante exercícios intensos ou em uma sauna, o nível de álcool no sangue não diminui mais rápido. Isso acontece porque o organismo metaboliza o álcool em um ritmo relativamente fixo, sem atalhos possíveis.
O processo ocorre em etapas. Primeiro, enzimas como a álcool desidrogenase (ADH) transformam o etanol em acetaldeído, uma substância ainda mais tóxica. Em seguida, outra enzima, a aldeído desidrogenase (ALDH), converte esse composto em acetato, que finalmente é eliminado pelo organismo na forma de água e dióxido de carbono, principalmente pelos rins.
Por que exercício e sauna parecem ajudar?
Embora não acelerem a eliminação do álcool, atividades como exercício leve ou sauna podem aliviar alguns sintomas, como dor de cabeça ou sensação de mal-estar, ao estimular a circulação e promover relaxamento muscular. A melhora, porém, é apenas momentânea e não representa uma “cura” da ressaca.
O que a ciência diz que realmente ajuda
Hidratação adequada
O consumo excessivo de álcool aumenta o risco de desidratação e perda de eletrólitos, como sódio, potássio e magnésio. Repor esses nutrientes ajuda a reduzir sintomas como dor de cabeça, tontura e fadiga.
Especialistas recomendam beber água antes, durante e depois do consumo de álcool. Uma estratégia comum é intercalar cada dose alcoólica com um copo de água mineral ou bebida rica em eletrólitos.
Ainda assim, é importante destacar: nenhuma estratégia de hidratação é capaz de impedir totalmente a ressaca se o consumo for elevado.
Suplementos e remédios naturais
Algumas substâncias têm evidências científicas modestas no alívio de sintomas específicos. Estudos clínicos indicam que o extrato de figo-da-índia pode reduzir náusea e boca seca. O gengibre também pode ajudar a acalmar o estômago.
Já compostos como a dihidromiricetina (DHM), amplamente divulgados como “cura para ressaca”, ainda carecem de comprovação robusta em humanos. Pesquisas em animais mostraram redução de comportamentos de intoxicação, mas não há evidência sólida de que a substância acelere a eliminação do acetaldeído no organismo humano.




