Existe um senso comum que o autismo é um problema “moderno” e que não existem idosos no Transtorno do Espectro Autista, mas, como você pode bem imaginar, isso não é verdade. De acordo com a CNN Brasil, entre indivíduos a partir dos 60 anos, a prevalência autodeclarada de TEA é de 0,86%, cerca de 306 mil pessoas. Essa análise foi feita pelo PPGCS (Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde) da PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná), através do Censo Demográfico de 2022.
Segundo a pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde na PUCPR, Uiara Raiana Vargas de Castro Oliveira Ribeiro, esses dados reforçam a importância de serem desenvolvidas estratégias para identificar e apoiar idosos com TEA.
“Dificuldades na comunicação, sobrecarga sensorial e rigidez de comportamento podem dificultar ainda mais o acesso à saúde dessa população. Portanto, o conhecimento em torno da prevalência do TEA em pessoas idosas no Brasil é o primeiro passo para compreender suas necessidades e assim subsidiar políticas públicas direcionadas a este público”, afirmou a pesquisadora à CNN Brasil.
Existem mais autistas hoje em dia?
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Essa impressão pode ser explicada mais pelo aumento no número de diagnósticos do que pelo aumento da condição em si. Afinal, a definição de autismo é relativamente recente. Segundo uma matéria da BBC News, os primeiros estudos descrevendo o transtorno surgiram nas décadas de 1930 e 1940, e a definição foi bastante ampliada nos anos 1990 com a introdução da síndrome de Asperger (termo que até já caiu em desuso) aos manuais de diagnóstico.
Outro ponto que contribui para o aumento dos diagnósticos de autismo é que, até alguns anos atrás, o autismo era visto principalmente como um transtorno masculino, fazendo com que muitas mulheres no transtorno fossem erroneamente diagnosticadas com questões como ansiedade social ou transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Isso acontecia principalmente porque meninas tendem a “mascarar” melhor seus traços autistas.




