A construção do Parque Eólico Coxilha Negra, localizado no Rincão de Artigas em Santana do Livramento, Rio Grande do Sul, reacendeu uma antiga disputa territorial entre Brasil e Uruguai. Desde 1934, o governo uruguaio desafia a demarcação da fronteira, alegando erro histórico.
Em 2022, a Eletrobras iniciou a instalação do parque eólico, projetado para abastecer 1,5 milhão de consumidores com energia renovável. Este desenvolvimento levou o Uruguai a formalizar uma queixa em junho de 2025, insistindo na revisão fronteiriça.
Disputa histórica
A disputa sobre o Rincão de Artigas remonta à década de 1930. Em 1851, um tratado entre Brasil e Uruguai estabeleceu as fronteiras após a independência do ‘paisito’ em 1828.
No entanto, um erro na interpretação dos marcos foi identificado em 1934 pelo capitão uruguaio Villa Seré, questionando a validade da demarcação feita. O Uruguai tem reiterado esta reivindicação desde então.
Em 1985, o Brasil reforçou sua presença com a construção da Vila Thomaz Albornoz, em Sant’Ana do Livramento, exacerbando as tensões. O Brasil insiste que o território pertence a Santana do Livramento, enquanto o país vizinho vê isso como motivo de revisão das fronteiras.
O Rincão de Artigas é uma área de cerca de 237 km².
Importância geopolítica
A localização do Parque Eólico Coxilha Negra no Rincão de Artigas eleva a significância geopolítica do local. Em um contexto global de transição para energias limpas, o parque se destaca. Com um investimento de R$ 2 bilhões e a instalação de 72 aerogeradores, a região ganha importância econômica e política.
As relações entre Brasil e Uruguai, historicamente amigáveis, enfrentam desafios devido à disputa territorial. Santana do Livramento e Rivera ilustram a convivência pacífica entre os países, mesmo com as fronteiras contestadas. A resolução do conflito territorial permanece sem previsão de acontecer.
O Itamaraty pretende abordar o impasse com o país vizinho, buscando uma solução pacífica. Enquanto isso, o Parque Eólico Coxilha Negra continua sua operação, contribuindo para o fornecimento energético nacional.




