Escondida em meio à mata fechada e localizada dentro de uma terra indígena no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, a Cachoeira Porã, em Maquiné, foi oficialmente reconhecida como a maior cachoeira do Brasil, com 450 metros de altura. O título consta em levantamento divulgado nesta semana pelo Ministério do Turismo, que coloca a queda d’água gaúcha no topo do ranking nacional, empatada com a Cachoeira da Neblina, no Rio de Janeiro.
A Cachoeira Porã está situada na terra indígena Guarani Barra do Ouro, em uma área conhecida como Campo Molhado, considerada berço de diversas nascentes. Dali surgem rios e riachos que alimentam tanto a bacia do Rio Tramandaí quanto a do Rio dos Sinos, reforçando a importância ambiental da região.
Ao longo de seu curso, a Porã apresenta uma característica rara: a fusão entre os modelos de cascata e salto. Em alguns trechos, a água desce de forma gradual sobre rochas inclinadas; em outros, despenca verticalmente, perdendo quase todo o contato com a rocha — combinação que contribui para sua imponência e complexidade geológica.

Descoberta científica e medições precisas
A confirmação da altura da cachoeira foi realizada em 2023 pelo projeto Cachoeiras Gigantes, que utilizou medições científicas para validar os dados. A Porã voltou a ganhar destaque recentemente ao ser incluída em uma lista oficial do Ministério do Turismo, ampliando sua visibilidade nacional.

Chegar até a Cachoeira Porã não é tarefa simples. Localizada na Linha Pinheiro, em Maquiné, a área é de difícil acesso e exige planejamento minucioso. Para alcançar o topo, a equipe utilizou imagens de satélite. Já o acesso à base da cachoeira demandou técnicas de canionismo e rapel, sendo necessárias três expedições para concluir o trabalho.
A grandiosidade da queda é tamanha que, mesmo ao pé da cachoeira, não é possível enxergar o topo a olho nu. O uso de drones foi essencial para registrar toda a extensão da Porã.



