São Paulo passou a abrigar, nesta terça-feira (6), um modelo de mercado ainda pouco comum no Brasil. Localizada na Rua Santa Isabel, no Centro da capital, a Gomo Coop inaugurou o primeiro supermercado cooperativo e participativo da cidade — um espaço onde não há patrão e no qual, para fazer compras, é preciso também colaborar com o funcionamento do local.
Diferente dos supermercados tradicionais, a Gomo Coop opera como uma cooperativa de consumo. Para comprar no local, o cliente precisa se tornar cooperado, adquirindo ao menos uma cota-parte de R$ 100. Além disso, assume o compromisso de trabalhar três horas por mês em alguma atividade do mercado.
As funções são variadas e vão desde operar o caixa, repor mercadorias e organizar o estoque até limpar o espaço ou auxiliar em tarefas administrativas. Na prática, quem participa do projeto acumula três papéis ao mesmo tempo: cliente, dono e trabalhador.
Todos os cooperados têm direito a voto nas decisões, independentemente do número de cotas adquiridas, reforçando o princípio da autogestão e da igualdade entre os membros.

Redução de custos e preços mais baixos
A proposta central da Gomo Coop é reduzir os custos operacionais ao eliminar intermediários e despesas com mão de obra tradicional. Com isso, a cooperativa promete preços mais baixos, especialmente em produtos como hortifrúti agroecológico, alimentos da agricultura familiar e itens produzidos de forma sustentável.
Segundo a organização, o modelo também fortalece o consumo consciente e cria uma relação mais próxima entre quem produz, quem vende e quem consome.
No início das atividades, as funções desempenhadas pelos cooperados ainda são simples e operacionais. No entanto, a expectativa é que, com o crescimento da base de associados, outras habilidades possam ser incorporadas à rotina do mercado.
Inspiração internacional
O projeto brasileiro foi inspirado em experiências consolidadas no exterior. A principal referência é a Park Slope Food Coop, de Nova York, que funciona há mais de 50 anos sob o lema “só compra quem trabalha”. Modelos semelhantes também existem na Europa, como a La Louve, em Paris.
Essas iniciativas têm ganhado destaque internacional por estimular laços comunitários, promover a economia solidária e oferecer uma alternativa ao varejo tradicional, especialmente em grandes centros urbanos.




