Um gesto simples, muitas vezes automático, pode ter efeitos profundos sobre a saúde emocional e a relação a dois. Abraçar a parceira antes de dormir, segundo pesquisas recentes da psicologia, está associado à redução do estresse, ao fortalecimento do vínculo afetivo e a uma maior sensação de segurança emocional, funcionando como um regulador natural do bem-estar.
Uma revisão científica publicada em 2024 por Xie & Feeney, na revista Current Opinion in Psychology, destaca que gestos de carinho — como abraços, carícias e beijos antes de deitar — desempenham papel importante na regulação emocional. Segundo os pesquisadores, o chamado toque afetivo ajuda o corpo a sair do estado de alerta, reduz níveis de estresse e favorece o relaxamento físico e mental.
Além disso, o contato físico contribui para a liberação de hormônios ligados ao bem-estar, como a oxitocina, fortalecendo laços emocionais e criando um ambiente mais seguro e acolhedor para o casal.
Abraços noturnos e sensação de segurança
Outro estudo, publicado em 2025 no Journal of Social and Personal Relationships por Josh Novak e Kaleigh Miller, analisou o comportamento de 143 casais que dormem juntos. A pesquisa observou que posições mais próximas no início do sono — como conchinha, dormir entrelaçados ou frente a frente — estavam associadas a níveis mais baixos de estresse e a sentimentos mais fortes de apego e segurança emocional.

“Embora os dados sejam transversais e mais pesquisas sejam necessárias, a proximidade física no início do sono pode ser um caminho promissor para melhorar o bem-estar relacional e fisiológico”, escreveram os pesquisadores no artigo.
Segundo o estudo, a escolha por dormir abraçado parece menos ligada à preferência individual por posições de sono e mais ao desejo de proximidade emocional. “Isso sugere que a necessidade de estar perto do parceiro pode falar mais alto do que o conforto físico individual”, explicam os autores.
Benefícios emocionais vão além do sono
Os pesquisadores ressaltam que, embora o carinho antes de dormir esteja fortemente ligado à sensação de segurança emocional, ele não garante, necessariamente, uma melhora direta na qualidade do sono. Ainda assim, o impacto positivo sobre o vínculo e a redução do estresse já representam ganhos importantes para a saúde mental.




