O sucesso editorial e cinematográfico de Ainda Estou Aqui abriu caminho para um novo capítulo da história de Marcelo Rubens Paiva. O autor confirmou que o livro, que inspirou o filme homônimo dirigido por Walter Salles, ganhou uma continuação. A nova obra foi publicada pela Companhia das Letras em abril de 2025 e amplia o olhar autobiográfico para acontecimentos políticos e pessoais mais recentes, especialmente a partir de 2013.
Publicado originalmente em 2015, Ainda Estou Aqui narra os impactos da ditadura militar brasileira sobre a família Paiva. Filho do engenheiro e deputado Rubens Paiva — assassinado pelo regime — e de Eunice Paiva, Marcelo construiu um relato marcado pela memória, pela dor e pela resistência. A obra ganhou projeção internacional após a adaptação para o cinema, estrelada por Selton Mello, Fernanda Torres e Fernanda Montenegro.

A continuação, intitulada O novo agora, desloca o foco para um passado mais recente. Segundo o autor, o livro aborda a perseguição sofrida por ele e sua família durante o avanço de movimentos conservadores e, posteriormente, ao longo do governo Jair Bolsonaro. “Vai ser sobre como a minha família sofreu durante o período do Bolsonaro, que era nosso inimigo pessoal e nós nem sabíamos disso. Ele cuspiu no busto do meu pai, disse mentiras sobre ele ter participação na luta armada”, afirmou Marcelo Rubens Paiva em entrevista à Folha de S.Paulo.
Paternidade, crise e isolamento
De acordo com a sinopse, O novo agora começa em 2014, quando Marcelo se torna pai pela primeira vez, já depois dos 50 anos. A narrativa alterna passado e presente para refletir sobre heranças familiares, política e educação dos filhos, resgatando ensinamentos deixados por Rubens e Eunice Paiva.
O livro também aborda o período a partir de 2020, quando o escritor enfrenta o isolamento social da pandemia, projetos cancelados e dificuldades financeiras, enquanto cuida de dois filhos pequenos e administra uma crise familiar. “Escritor, pai depois dos cinquenta anos, cadeirante e considerado inimigo pelo governo vigente”, assim o próprio autor se define na obra.
Reconhecimento internacional impulsiona sequência
A continuação chega após o êxito do filme Ainda Estou Aqui, escolhido pela Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais para representar o Brasil no Oscar 2025. A produção venceu o prêmio de Melhor Filme Internacional e também foi laureada no Festival de Veneza, onde recebeu o troféu de Melhor Roteiro.
Em 2025, Fernanda Torres venceu o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Drama por sua atuação como Eunice Paiva. O longa ainda concorreu como Melhor Filme em Língua Não Inglesa, mas acabou superado por Emilia Pérez.




