A Nestlé iniciou o recolhimento de alguns lotes de fórmulas infantis que vinham sendo comercializadas no Brasil após relatos de bebês e crianças que apresentaram sintomas como vômito, diarreia, febre e prostração. A medida, determinada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e publicada na última quarta-feira (7), é preventiva e ocorre diante do risco de presença da toxina cereulide, produzida por determinadas cepas da bactéria Bacillus cereus.
A suspensão atinge lotes específicos das fórmulas infantis das marcas Nestogeno, Nan Supreme Pro, Nanlac Supreme Pro, Nanlac Comfort, Nan Sensitive e Alfamino. Segundo a Anvisa, a decisão foi tomada após a identificação do risco durante análises de rotina de controle de qualidade.
Em nota, a Nestlé informou que a possível contaminação está associada a um ingrediente fornecido por um parceiro internacional e reforçou que o recolhimento é voluntário. Até a última atualização, a empresa afirmou não haver registro oficial de casos confirmados de doenças relacionados diretamente aos lotes afetados.

O que é a Bacillus cereus e por que ela preocupa
A Bacillus cereus é uma bactéria amplamente estudada pela ciência e conhecida por sua capacidade de formar esporos altamente resistentes. Essas estruturas conseguem sobreviver a processos industriais comuns, como a pasteurização, além de suportarem variações extremas de temperatura e pH.
Algumas cepas produzem a cereulide, uma toxina altamente perigosa. De acordo com revisões médicas publicadas no StatPearls/NCBI, essa substância é termoestável — ou seja, não é destruída pelo aquecimento — e resiste às enzimas digestivas, o que torna impossível eliminá-la no preparo doméstico do alimento.
Tipos de intoxicação e riscos para bebês
A ingestão de alimentos contaminados pode causar dois quadros distintos. A chamada síndrome diarreica provoca dor abdominal e diarreia, enquanto a síndrome emética, associada à cereulide, causa náuseas intensas e vômitos de início rápido, geralmente entre 30 minutos e seis horas após o consumo.
Embora a maioria dos casos se resolva em até 24 horas, há registros raros de complicações graves, como falência hepática. Em bebês, o risco é maior devido ao organismo ainda imaturo e à menor capacidade de metabolizar toxinas.




