Pouca gente sabe, mas o maior produtor de esmeraldas do mundo está na América do Sul. A Colômbia lidera o ranking global da pedra preciosa, respondendo por grande parte da oferta internacional e consolidando-se como referência histórica, econômica e geológica no setor, mesmo em meio a desafios sociais, políticos e de segurança que acompanham a atividade há décadas.
Conhecida internacionalmente por sua diversidade cultural e paisagens paradisíacas, a Colômbia também é uma potência em recursos naturais. Entre suas principais riquezas estão as esmeraldas, responsáveis por uma fatia significativa das exportações do país. Segundo dados do setor, a Colômbia responde por uma das maiores parcelas da produção mundial, dividindo protagonismo com países como Zâmbia e Brasil.
A região de Boyacá, no centro do país, é considerada o coração da mineração de esmeraldas colombianas. Municípios como Muzo, Quípama, Maripí e Pauna concentram algumas das jazidas mais valiosas do planeta, conhecidas pela coloração intensa e pela alta pureza das pedras.
Descobertas que desencadeiam verdadeiras “febres verdes”
Em 2012, a pequena cidade de Pauna ganhou destaque internacional após operários encontrarem esmeraldas durante a construção de uma estrada, na área conhecida como Nariz do Diabo. A descoberta ocorreu quando um trabalhador perfurava uma rocha com um martelo hidráulico e se deparou com uma pedra verde brilhante.

“Um deles estava perfurando a rocha com um martelo hidráulico e viu uma pedra verde brilhante”, relatou à época o jornal colombiano El Tiempo, citando o então prefeito de Pauna, Omar Casallas.
A notícia se espalhou rapidamente pela região e atraiu centenas de pessoas em busca de novas pedras. Para evitar desordem e acidentes, a polícia precisou bloquear a estrada e a encosta onde as esmeraldas foram encontradas. Uma das pedras foi vendida por cerca de 4 milhões de pesos colombianos e teria como destino os Estados Unidos.
Um setor marcado por riqueza e conflitos
Apesar do alto valor econômico, a mineração de esmeraldas na Colômbia carrega um histórico de violência. Nas décadas de 1960 e 1980, disputas entre famílias e grupos produtores por minas e territórios ricos em esmeraldas resultaram nas chamadas “guerras verdes”, conflitos armados que deixaram centenas de mortos.

Atualmente, o setor busca se profissionalizar e atrair investimentos para ampliar a produção de forma legal e sustentável. Segundo a Fedesmeraldas, associação que representa os produtores, a Colômbia exporta cerca de US$ 64 milhões em esmeraldas por ano, mas ainda há margem para crescimento com mais investimentos e controle.




