Imagine pousar em um aeroporto onde, antes da decolagem, o piloto precisa aguardar a passagem de um trem pela pista. Essa é a realidade do Aeroporto de Gisborne, na Nova Zelândia, considerado o mais inusitado do mundo por abrigar uma linha férrea operacional que cruza diretamente sua pista principal, sem impedir o fluxo diário de passageiros e voos.
Localizado na extremidade leste da Ilha Norte da Nova Zelândia, o Aeroporto de Gisborne (GIS) possui uma pista de orientação 14/32 atravessada quase ao meio pela ferrovia Palmerston North–Gisborne, integrante da malha nacional do país. A área total do aeroporto é de cerca de 160 hectares, e tanto as operações aéreas quanto ferroviárias funcionam entre 6h30 e 20h30. Fora desse período, a pista permanece fechada.
A peculiaridade exige uma coordenação rigorosa entre os controladores de tráfego aéreo e os operadores ferroviários. Quando um trem se aproxima, aeronaves aguardam autorização para pouso ou decolagem. Da mesma forma, os trens podem ser interrompidos para garantir a movimentação segura dos aviões. Segundo o portal News18, o próprio aeroporto controla os sinais ferroviários, parando os trens sempre que necessário.

Trens turísticos e voos domésticos dividem espaço
Atualmente, a linha férrea é utilizada principalmente pela Gisborne City Vintage Railway, que opera trens turísticos, incluindo locomotivas a vapor, entre Muriwai e Gisborne. Essas composições cruzam a pista cerca de 15 vezes por ano, com maior frequência durante o verão, quando navios de cruzeiro atracam na região.
Apesar do cenário inusitado, o aeroporto mantém operações regulares. Localizado no bairro de Elgin, Gisborne recebe mais de 150 mil passageiros por ano e opera mais de 60 voos domésticos por semana. Além da pista principal, o complexo conta com outras três pistas auxiliares.
Único no mundo em operação
Gisborne é atualmente o único aeroporto do mundo onde trens ainda cruzam uma pista de pouso em operação. Um caso semelhante existiu no passado no Aeroporto de Wynyard, na Tasmânia, mas o tráfego ferroviário foi encerrado em 2005.




