Atender ou rejeitar uma ligação de número desconhecido parece uma decisão banal, mas esse simples gesto pode ser suficiente para manter seu telefone no radar de telemarketing e golpistas. Segundo especialistas em tecnologia, recusar chamadas aleatórias não afasta o problema — ao contrário, pode alimentar os sistemas que insistem em ligar repetidamente.
Em publicação na rede social X, a professora de inteligência artificial Nona explicou que o ato de rejeitar uma chamada confirma aos sistemas automatizados que o número está ativo. “Toda vez que você rejeita uma chamada, você confirma que seu número está ativo”, afirmou.
De acordo com a especialista, os sistemas modernos de call center conseguem identificar quando o usuário interage com a tela do celular para encerrar a ligação. Essa informação é processada automaticamente e enviada aos servidores, indicando que há um humano utilizando o aparelho. Com isso, o contato passa a ter prioridade em novas listas de chamadas.
Como os números entram nas listas de telemarketing
Na maioria dos casos, o telefone chega a essas bases de dados após o preenchimento de formulários em sites, aplicativos de compras ou cadastros promocionais. Essas informações circulam entre empresas de marketing e acabam sendo usadas também por operações de golpe, que testam a validade dos dados.
Cada interação — seja atender, seja rejeitar — funciona como uma confirmação de que o número está em uso. O resultado é um ciclo difícil de interromper, no qual o contato se torna cada vez mais valorizado dentro das listas de spam.
Comportamento do consumidor é global, mas cauteloso
Levantamento da consultoria YouGov, realizado em 18 mercados globais, mostra que a maioria dos consumidores evita atender chamadas de números desconhecidos. Cerca de 26% afirmam nunca atender esse tipo de ligação, enquanto 42% dizem que atendem “raramente”.
Nos Estados Unidos, 41% dos consumidores nunca atendem chamadas desconhecidas. Já em países como Índia, China e Emirados Árabes Unidos, há maior tolerância: até 32% dos indianos dizem atender esse tipo de ligação com frequência. Ainda assim, em quase todos os mercados analisados, menos de 10% afirmam sempre atender números não reconhecidos.




