A escalada das declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de ampliar o controle americano sobre a Gronelândia provocou uma reação coordenada inédita na Europa. França, Alemanha e aliados nórdicos passaram a alinhar discursos diplomáticos e ações militares simbólicas para reforçar que o território — parte autônoma do Reino da Dinamarca — é europeu e protegido pela Otan.
Em entrevista à rádio France Inter, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, foi direto ao comentar o cenário de tensão:
“Queremos agir, mas queremos fazê-lo em conjunto com os nossos parceiros europeus”, afirmou, ao ser questionado sobre uma eventual investida dos Estados Unidos sobre a Gronelândia.
Dias antes, Barrot já havia se manifestado publicamente nas redes sociais contra qualquer pretensão americana sobre o território. Em vídeo publicado no X, declarou:
“A Gronelândia não está à venda nem pode ser adquirida. É um território europeu”.
Segundo o ministro francês, o tema também foi tratado diretamente com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que, de acordo com Barrot, teria descartado “uma repetição dos acontecimentos da Venezuela na Gronelândia”, em referência a intervenções unilaterais.

Movimentação militar envia recado político
A reação europeia ganhou contornos concretos com o envio de militares para Nuuk, capital da Gronelândia. Um contingente francês de 15 soldados chegou à ilha como parte de uma missão de reconhecimento que também envolve Alemanha, Suécia, Noruega e Reino Unido — todos aliados da Dinamarca na Otan.
O enviado especial francês Olivier Poivre d’Arvor classificou a ação como histórica.
“Este é um primeiro exercício. Vamos mostrar aos Estados Unidos que a Otan está presente”, afirmou, destacando o peso simbólico da operação.
A missão, chamada de Operation Arctic Endurance, envolve apenas algumas dezenas de militares e exercícios conjuntos liderados pela Dinamarca. Ainda assim, autoridades europeias reconhecem que o gesto tem forte valor político diante da pressão exercida por Washington.
Trump insiste e eleva a tensão
Mesmo diante da reação europeia, Donald Trump voltou a defender publicamente o controle da Gronelândia pelos Estados Unidos.
“Precisamos da Gronelândia para a segurança nacional”, disse o presidente no Salão Oval, sem descartar o uso da força, embora tenha afirmado acreditar em um acordo com a Dinamarca.
Atualmente, os EUA já mantêm uma base militar no território, com até 150 militares, e possuem acordos que permitem ampliar essa presença. Ainda assim, Copenhague rejeita a narrativa americana. Após reunião em Washington com o vice-presidente JD Vance, o chanceler dinamarquês Lars Løkke Rasmussen afirmou que existe um “desacordo fundamental” entre os dois países.




