O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (16) que o salário mínimo brasileiro segue muito abaixo do ideal, mesmo após o reajuste aplicado em 2026. Ao discursar em uma cerimônia no Rio de Janeiro que marcou os 90 anos da criação do salário mínimo no Brasil, Lula disse que o valor atual não cumpre o papel social para o qual foi concebido e sinalizou que o governo pretende avançar em novos aumentos reais nos próximos anos.
Durante o evento, Lula deixou claro que a celebração não teve como foco exaltar o valor vigente do piso nacional, atualmente fixado em R$ 1.621, mas sim a ideia original por trás da política pública criada em 1936, no governo de Getúlio Vargas.
“Não estamos fazendo este ato em apologia ao valor do salário mínimo, porque o salário mínimo é muito baixo no Brasil. Estamos fazendo apologia à ideia de um presidente que, em 1936, criou a possibilidade de estabelecer um salário que garantisse aos trabalhadores os direitos elementares, de morar, comer, estudar e ter o direito de ir e vir”, afirmou Lula, conforme discurso reproduzido oficialmente.
Segundo o presidente, o salário mínimo nunca conseguiu, na prática, cumprir integralmente os critérios definidos pela própria legislação desde sua criação.
“Desde que foi criado, o salário mínimo não preenche estes requisitos da intenção da lei”, declarou.
Reajuste de 2026 e política de valorização
Desde 1º de janeiro de 2026, o salário mínimo passou de R$ 1.518 para R$ 1.621, um reajuste de 6,7%, que combina a reposição da inflação com ganho real. O aumento faz parte da política de valorização retomada pelo governo federal a partir de 2023.
De acordo com a Lei nº 14.663/2023, o cálculo do piso considera:
- a inflação medida pelo INPC do ano anterior;
- o crescimento do PIB de dois anos antes, respeitando os limites do arcabouço fiscal entre 2025 e 2030.
Entre janeiro de 2022 e janeiro de 2026, o salário mínimo acumulou ganho real de 11,8% acima da inflação, segundo dados oficiais.
Impacto direto sobre milhões de brasileiros
Dados do IBGE mostram que o salário mínimo tem peso central na renda do país. Em 2022, 35,3% dos trabalhadores brasileiros — cerca de 31,3 milhões de pessoas — recebiam até um salário mínimo, o que amplia o impacto de qualquer reajuste sobre o consumo, o mercado de trabalho e os programas sociais.
Durante o discurso, Lula destacou que a maior parte das pessoas que vivem com o piso nacional pertence a dois grandes grupos sociais.




