O salário mínimo de R$ 1.621 em 2026 não será recebido de forma integral por todos. Com a atualização da tabela de contribuições ao INSS, aposentados que seguem trabalhando formalmente passarão a ter descontos obrigatórios na folha de pagamento, o que pode representar uma redução de até R$ 121 no valor bruto mensal, na prática, por meio da cobrança previdenciária.
A mudança não se trata de um corte direto no benefício previdenciário, mas da incidência obrigatória da contribuição ao INSS sobre o salário recebido por aposentados que continuam exercendo atividade remunerada. Pela legislação, mesmo já aposentado, o trabalhador com carteira assinada, doméstico, contribuinte avulso ou autônomo é obrigado a recolher o INSS normalmente.
Os novos valores estão em vigor desde 1º de janeiro de 2026 e começam a ser descontados efetivamente nos pagamentos feitos a partir de fevereiro, já que a contribuição incide sempre sobre o salário do mês anterior.
Quanto será descontado
Com o salário mínimo fixado em R$ 1.621,00, o aposentado que trabalha e recebe esse valor passa a contribuir com a alíquota mínima de 7,5%. Na prática, isso representa um desconto mensal de cerca de R$ 121, reduzindo o valor líquido recebido.
As alíquotas atualizadas para 2026, divulgadas pelo Ministério da Previdência Social e corrigidas pelo INPC (3,90%), são as seguintes:
- 7,5% para salários de até R$ 1.621,00
- 9% para salários de R$ 1.621,01 a R$ 2.902,84
- 12% para salários de R$ 2.902,85 a R$ 4.354,27
- 14% para salários de R$ 4.354,28 a R$ 8.475,55
Essas alíquotas valem para trabalhadores empregados, domésticos, contribuintes avulsos, autônomos e microempreendedores individuais.
Como funciona o cálculo
O sistema de contribuição ao INSS é progressivo. Isso significa que cada alíquota incide apenas sobre a parcela do salário correspondente àquela faixa, e não sobre o valor total. O cálculo é feito até o teto previdenciário, que em 2026 é de R$ 8.475,55.
Mesmo com esse modelo, no caso de quem recebe um salário mínimo, todo o valor fica enquadrado na primeira faixa, o que torna o desconto integralmente de 7,5%.
Quem não é afetado
Aposentados que não exercem nenhuma atividade remunerada não sofrem qualquer desconto adicional no benefício. O impacto ocorre exclusivamente para quem continua trabalhando após a aposentadoria, situação cada vez mais comum diante do aumento do custo de vida.
Na prática, a atualização da tabela faz com que parte do reajuste do salário mínimo seja absorvida pelo desconto previdenciário. Especialistas alertam que, embora a contribuição seja obrigatória, ela não gera direito a uma nova aposentadoria ou aumento do benefício já concedido — funcionando apenas como recolhimento para o sistema.




