Uma das mais intensas tempestades solares das últimas duas décadas atingiu a Terra em 2026 e acendeu o alerta entre cientistas e autoridades internacionais. O evento, provocado por uma poderosa ejeção de massa coronal lançada pelo Sol, é considerado o mais forte desde a chamada Grande Tempestade de Halloween, registrada em 2003, e pode provocar impactos em sistemas de comunicação, navegação por GPS e infraestrutura tecnológica em diversas partes do mundo.
Monitorada pelo Centro de Previsão do Clima Espacial (SWPC), órgão ligado ao Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos, a tempestade foi classificada como nível 4 em uma escala que vai de 1 a 5, o que a coloca na categoria “severa”. Além dos riscos tecnológicos, o fenômeno também tem um efeito visual impressionante: auroras boreais foram observadas em áreas fora das regiões polares, incluindo partes dos Estados Unidos, Canadá e Europa.

O evento teve início no dia 18 de janeiro, quando observatórios ao redor do mundo detectaram uma ejeção de massa coronal (CME) — uma explosão de plasma superaquecido e campos magnéticos lançada da superfície do Sol em direção ao espaço. Segundo astrônomos, o fenômeno foi rapidamente identificado como de grande magnitude.
As erupções solares são classificadas em quatro categorias principais — B, C, M e X — sendo a classe X a mais poderosa. Dentro dessa categoria, há uma escala de 1 a 9. A tempestade de 2026 atingiu nível X1.9, considerada extremamente forte, embora inferior à de outubro de 2003, que chegou a ultrapassar os sensores e foi estimada em X17.
Apesar disso, especialistas ressaltam que o impacto potencial ainda é significativo. Tempestades solares podem desorganizar um planeta altamente conectado, afetando satélites, redes elétricas, sistemas de defesa e até centros de dados, apontam relatórios científicos internacionais.
Riscos para tecnologia e comunicações
De acordo com o SWPC, tempestades solares severas podem causar falhas temporárias em satélites de comunicação e navegação, além de interferências na precisão do GPS. Redes elétricas também entram em estado de atenção, já que correntes geomagneticamente induzidas podem causar sobrecargas e danos a transformadores.
Durante este evento, operadoras adotaram protocolos de segurança, como:
- colocação de satélites em modo seguro;
- redução de carga em redes elétricas;
- alteração de rotas aéreas que passam por regiões polares, mais expostas à radiação.
Segundo as autoridades americanas, apenas interrupções leves foram registradas, indicando que as medidas preventivas funcionaram.
O efeito mais visível da tempestade foi o avanço das auroras boreais para latitudes incomuns. De acordo com a NOAA, o índice K — que mede a intensidade geomagnética — atingiu nível 8 em uma escala de 1 a 9, permitindo que o fenômeno fosse observado em até 27 estados norte-americanos, além de regiões do sul da Europa.
Estados como Califórnia, Alabama e Mississippi relataram registros do espetáculo luminoso no céu. A baixa luminosidade da Lua contribuiu para tornar o fenômeno ainda mais visível.
Astronautas e missões espaciais em alerta
Os primeiros humanos a sentir os efeitos de uma tempestade solar são aqueles fora da superfície da Terra. Na Estação Espacial Internacional (ISS), astronautas seguiram protocolos de segurança e se abrigaram nos módulos mais protegidos contra radiação.
Estudos indicam que a exposição a níveis elevados de radiação cósmica pode aumentar o risco de doenças como câncer, catarata e distúrbios neurológicos. Por isso, missões espaciais monitoram esse tipo de evento com atenção máxima.



