Uma combinação de mudanças regulatórias, disputas jurídicas e novas métricas de avaliação do ensino superior está redesenhando o cenário do curso de Medicina no Brasil. De um lado, cresce nas redes sociais a divulgação de que estudantes com nota mínima no Enem já estariam garantindo 100% de financiamento pelo Fies, mesmo abaixo do tradicional ponto de corte. De outro, o Ministério da Educação (MEC) endureceu a fiscalização e passou a punir cursos de Medicina mal avaliados, o que pode reduzir vagas e restringir o acesso ao financiamento público.
Um conteúdo compartilhado pelo perfil machadoecostaadvocacia afirma que já estaria em vigor uma interpretação jurídica que garante financiamento integral do Fies para Medicina a estudantes que cumpram apenas os requisitos previstos em lei:
- nota mínima de 450 pontos no Enem;
- não zerar a redação;
- ter participado de qualquer edição do exame a partir de 2010.
Segundo a tese defendida, a aplicação de pontos de corte nos editais do Fies seria ilegal, pois excluiria milhares de candidatos que atendem aos critérios legais do programa. De acordo com o material divulgado, estudantes em todo o país já estariam conseguindo acesso ao financiamento integral por meio de recursos administrativos ou decisões judiciais, mesmo com notas abaixo da nota mínima exigida nos processos seletivos regulares.
A interpretação, no entanto, ainda não foi oficialmente incorporada pelo governo federal de forma ampla, o que mantém o tema em debate e gera expectativa entre candidatos ao curso mais concorrido do país.
Cursos mal avaliados perdem vagas e acesso ao Fies
Enquanto o acesso ao financiamento ganha novos contornos, o MEC reforça o controle sobre a qualidade da formação médica. Dados divulgados nesta semana mostram que 99 cursos de Medicina foram mal avaliados na primeira edição do Enamed, novo exame nacional aplicado aos formandos da área.
Esses cursos, pertencentes a 93 instituições, terão até 30 dias para apresentar defesa antes da aplicação de sanções, que variam conforme o desempenho. Entre as medidas previstas estão:
- proibição de abertura de novas vagas;
- redução da oferta de estudantes;
- suspensão da participação no Fies;
- e, nos casos mais graves, suspensão temporária de ingresso de novos alunos.
O exame mede o nível de proficiência dos estudantes por meio de 100 questões objetivas. O MEC considera satisfatório desempenho a partir da nota 3, equivalente a pelo menos 60% de acertos.
Impacto maior recai sobre instituições privadas
Dos cursos com desempenho insatisfatório, 87 pertencem à rede privada e apenas quatro são universidades federais. Todos os 21 cursos que obtiveram nota 1 sofrerão suspensão do Fies e veto ao aumento de vagas. Aqueles com desempenho ligeiramente superior também enfrentarão restrições graduais.
Apesar disso, os dados mostram que as instituições estaduais e federais apresentam desempenho médio superior ao das privadas, especialmente as com fins lucrativos. Entre os quase 30 mil estudantes avaliados, a maior parte é da rede privada, justamente onde estão os piores índices de proficiência.




