Imagens de uma tarântula infectada por um fungo parasita chamaram a atenção nas redes sociais nesta semana ao mostrar o corpo do animal tomado por estruturas fúngicas que emergem após a morte. O registro foi feito na Amazônia e revela um fenômeno raro e impressionante da natureza: um fungo capaz de consumir completamente o hospedeiro e usar seu corpo para se reproduzir.
As imagens foram divulgadas pelo pesquisador Elisandro Ricardo Drechsler-Santos, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e já ultrapassaram 2,1 milhões de visualizações no Instagram. No vídeo, é possível ver que a aranha, originalmente de coloração marrom-dourada, está coberta por uma estrutura rígida avermelhada, com ramificações de pontas alaranjadas responsáveis pela liberação de esporos.
Segundo o pesquisador, o fungo rompe o exoesqueleto da tarântula após consumir todos os seus tecidos internos. Essa é a fase final do ciclo de vida do parasita, quando ele emerge do corpo do hospedeiro para se reproduzir por meio da esporulação e infectar outras aranhas da mesma espécie no ambiente.

Comparação com “The Last of Us”
O impacto visual do caso levou a comparações com o fungo fictício retratado no jogo e na série The Last of Us. Em um vídeo que acompanha as imagens, o biólogo Henrique Charles explica que a produção se inspirou em fungos reais do gênero Cordyceps, conhecidos por infectar insetos e outros artrópodes, alterando seu comportamento de forma extrema.
Na ficção, o fungo teria evoluído para infectar humanos, transformando-os em “zumbis”. Na vida real, no entanto, esse cenário não existe.
Descoberta feita durante curso internacional
O fungo e sua aranha hospedeira foram identificados por Lara Fritzsche, estudante de Ciências Ambientais da Universidade de Copenhague, durante atividades de campo do curso intensivo Tropical Mycology Field Course. A coleta ocorreu na Reserva Ducke, próxima a Manaus, e reuniu especialistas do Brasil e da Dinamarca.
O curso foi organizado pelo biólogo João Paulo Machado de Araújo, professor da Universidade de Copenhague, e teve como objetivo documentar a diversidade de fungos tropicais, um grupo ainda pouco conhecido pela ciência.

De acordo com estudos científicos, fungos do gênero Cordyceps infectam seus hospedeiros por meio de esporos microscópicos que aderem ao exoesqueleto. Após germinar, o fungo penetra o corpo com ação mecânica e enzimática, passando a se desenvolver internamente.
Pesquisas indicam que o parasita envolve o cérebro e os gânglios nervosos do animal e libera substâncias químicas que interferem na comunicação entre neurônios e músculos. Esse processo induz comportamentos anormais que favorecem a reprodução do fungo.




