O furto de celulares em locais movimentados ganhou um novo e perigoso capítulo no Brasil. Criminosos estão utilizando golpes cada vez mais sofisticados para conseguir a senha do iPhone após o roubo do aparelho, burlando mecanismos de segurança e ampliando o prejuízo das vítimas. O caso do influenciador Guga Figueiredo, furtado durante um evento no Rio de Janeiro, expõe como o crime deixou de ser apenas patrimonial e passou a atingir diretamente dados pessoais e finanças.
O episódio ocorreu durante o Ensaio da Anitta, no Rio Centro, na zona oeste do Rio, no dia 20 de janeiro. Após perceber que o iPhone havia sido furtado, Guga Figueiredo tentou os procedimentos padrão: ligou para o próprio número e acessou o recurso Buscar iPhone, da Apple, para localizar e bloquear o aparelho remotamente.
Pouco tempo depois, o dispositivo foi desligado, interrompendo qualquer tentativa de rastreamento. Horas mais tarde, já no hotel, a esposa do influenciador recebeu um SMS que aparentava ser oficial da Apple. A mensagem informava que um iPhone 15 Pro Max havia sido localizado e incluía um link para “confirmar a localização”.
Ao clicar, a vítima foi direcionada para uma página visualmente idêntica ao site da Apple, com layout, linguagem e tipografia semelhantes às oficiais. O site mostrava uma suposta localização do aparelho e solicitava a senha do iPhone, alegando que isso era necessário para concluir a recuperação.
Como os criminosos desbloqueiam o iPhone
Ao digitar o código de acesso nessa página falsa, a vítima entrega diretamente aos golpistas a chave do dispositivo. Com a senha em mãos, os criminosos conseguem:
- Desbloquear completamente o iPhone
- Acessar a conta Apple ID
- Realizar compras e assinaturas
- Consultar fotos, mensagens e documentos
- Utilizar dados armazenados na nuvem
Na prática, o golpe transforma um furto comum em um ataque digital completo, com potencial de prejuízo financeiro e exposição de informações sensíveis.
Medo de usar o celular nas ruas cresce
Casos como esse ajudam a explicar os dados recentes do Datafolha, que mostram que 60% dos brasileiros evitam usar o celular enquanto caminham na rua, por medo de roubo. Entre as mulheres, o índice sobe para 68%, enquanto entre os homens é de 53%.
O receio também aumenta:
- Entre pessoas com 60 anos ou mais (68%)
- Entre quem tem ensino superior (67%)
- Em capitais, onde o índice chega a 69%
Em cidades com mais de 500 mil habitantes, 68% evitam usar o celular nas ruas; em municípios com menos de 50 mil habitantes, o número cai para 50%.
Números alarmantes de furtos e roubos
Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, o país registrou no último ano:
- 498.516 celulares furtados
- 419.232 celulares roubados
São Paulo lidera o ranking, com 287.849 ocorrências, seguido por Rio de Janeiro (58.813), Minas Gerais (50.711) e Pará (50.157).




