A praia de Canajurê, uma das áreas mais valorizadas e discretas de Florianópolis, foi classificada como imprópria para banho após nova análise da qualidade da água realizada pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA-SC). O alerta foi divulgado na última sexta-feira (23) e ocorre em meio a relatos de virose e infecções gastrointestinais entre banhistas que frequentaram a região nas últimas semanas.
Localizada entre Jurerê e Canasvieiras, Canajurê é conhecida por águas calmas, visual paradisíaco e baixo fluxo de turistas — características que reforçaram a surpresa diante do resultado negativo. A última vez que a praia havia recebido restrição semelhante foi há cerca de sete meses, em junho de 2025.
O ponto considerado inadequado para banho é o ponto 68, monitorado em frente à Servidão Valdemar Medeiros. Ele passou a integrar o terceiro relatório de balneabilidade de 2026 e o 11º da atual temporada de verão.
Apesar de manter, no geral, um índice estável de praias próprias, Florianópolis apresentou rotatividade preocupante: enquanto quatro pontos melhoraram, outros quatro — incluindo Canajurê — pioraram na última semana.
Além de Canajurê, também ficaram impróprios:
- Santo Antônio de Lisboa (em frente à Praça Roldão da Rocha Pires);
- Sambaqui (em frente à Servidão Paraíso das Flores);
- Praia da Tapera (meio da praia).

Qualidade da água piora em todo o estado
O relatório mais recente do IMA-SC revelou uma queda acentuada na balneabilidade em Santa Catarina, configurando o pior resultado da temporada de verão 2026 até agora.
Dos 260 pontos monitorados em todo o estado:
- 157 (60,38%) estão próprios para banho;
- 103 pontos foram considerados impróprios.
Na semana anterior, o percentual de locais adequados era maior, com 65,77%, indicando uma deterioração significativa em curto espaço de tempo.
Em Florianópolis, embora o índice geral tenha permanecido em 67,05% de pontos próprios, a alternância entre praias adequadas e inadequadas acende um alerta para moradores e turistas.
Contaminação pode causar virose e infecções
O principal critério usado para classificar a balneabilidade é a presença da bactéria Escherichia coli (E. coli), associada à contaminação por esgoto.
De acordo com as normas do Conama, a água é considerada imprópria quando:
- Mais de 20% das amostras das últimas cinco semanas ultrapassam 800 unidades de E. coli por 100 ml, ou
- A amostra mais recente supera 2.000 unidades, indicando risco imediato.
A exposição à água contaminada pode provocar virose, diarreia, vômitos, dermatites, conjuntivite e infecções gastrointestinais, especialmente em crianças, idosos e pessoas com imunidade baixa.




