Em um mundo marcado por mudanças constantes de emprego, histórias de lealdade extrema voltaram a chamar a atenção global. Nesta semana, uma idosa japonesa veio a ser reconhecida pelo Guinness World Records por trabalhar mais de seis décadas no mesmo cargo, o Brasil reforça seu lugar nesse seleto grupo com a trajetória de Walter Orthmann, que dedicou impressionantes 86 anos da vida à mesma empresa — entre 1938 e 2024 — tornando-se o funcionário mais fiel da história mundial.
Walter Orthmann morreu aos 102 anos, em 2024, deixando um legado que ultrapassa gerações e atravessa transformações profundas no mundo do trabalho. Seu nome entrou para o Guinness Book como o profissional com a carreira mais longa registrada em uma única empresa.
Nascido em 19 de abril de 1922, em Brusque, no Vale do Itajaí (SC), Walter começou a trabalhar ainda adolescente. Aos 15 anos, em 17 de janeiro de 1938, foi contratado pela indústria têxtil RenauxView como assistente de empacotamento, após se candidatar à vaga de office-boy usando uma bicicleta de segunda mão comprada pelo pai.

Ao longo das décadas, construiu uma carreira sólida dentro da empresa, chegando ao cargo de gerente de vendas. Testemunhou mudanças históricas: da ausência de energia elétrica e água encanada em Brusque às revoluções tecnológicas que transformaram a indústria e o ambiente corporativo.
Walter costumava lembrar com humor da chegada da primeira calculadora à empresa, trazida da Alemanha pelo então diretor Roland Renaux. Desconfiado da novidade, fazia as contas mentalmente antes de conferir os resultados na máquina. Também viveu a transição das máquinas de escrever para os computadores e acompanhou a modernização completa dos processos industriais.
Ativo até os 100 anos e referência mundial
Mesmo centenário, Walter manteve uma rotina ativa. Até dezembro de 2023, dirigia o próprio carro até o trabalho e se exercitava regularmente, inclusive nos fins de semana. Seu afastamento definitivo ocorreu apenas após uma inflamação em um dos olhos.
A empresa destacou, em comunicado, que a morte do funcionário “deixa um grande vazio no cotidiano” e prestou solidariedade à família. Walter morreu de causas naturais, em casa.
Durante a vida, ele costumava compartilhar conselhos simples para a longevidade: cuidar da alimentação, dormir bem, controlar o estresse e realizar check-ups médicos frequentes. Também defendia uma filosofia direta diante da ansiedade moderna: “Não se preocupar com o amanhã, mas viver o hoje”.
Comparação com o recorde japonês
O caso de Walter Orthmann ganhou ainda mais repercussão após o reconhecimento recente da japonesa Yasuko Tamaki, de Osaka, que entrou para o Guinness por trabalhar mais de 65 anos no mesmo cargo de gerente administrativa na empresa Sunco Industries. Yasuko iniciou sua carreira em 1956 e seguia ativa mesmo após os 90 anos, segundo registros oficiais e relatos recentes.
Age is just a number 💼
— KyotoCine (@KyotoC41415) January 26, 2026
Working at 100 in the making, Yasuko Tamaki shows discipline elegance and quiet style never go out of fashion 🙏✨#Inspiration #WorkEthic #JapanFirst pic.twitter.com/uQfzcPCulJ
Apesar do feito extraordinário da japonesa, o brasileiro supera qualquer marca conhecida em tempo total de serviço contínuo, consolidando-se como o funcionário com a carreira mais longa da história em uma única empresa.




