Quem frequenta praias brasileiras já deve ter notado pequenas bolinhas transparentes boiando na água ou acumuladas próximo à faixa de areia. À primeira vista, muitos banhistas acreditam se tratar de filhotes de água-viva, o que gera preocupação e até medo de queimaduras. No entanto, esses organismos são chamados de salpas e, apesar do aspecto estranho e da coceira que podem causar, não oferecem risco à saúde humana nem indicam poluição no mar.
As salpas são invertebrados marinhos pertencentes ao grupo dos tunicados, parentes distantes das ascídias. Elas têm corpo gelatinoso, transparente, geralmente em formato de barril ou bolinha, medindo cerca de 1 centímetro de diâmetro quando jovens — algumas espécies adultas podem chegar a alguns centímetros.
No interior do corpo, há um pequeno fio escuro, que corresponde ao sistema digestivo, muitas vezes difícil de enxergar a olho nu. As salpas não nadam ativamente até a costa: elas são levadas por correntes marítimas, ventos e massas de água, o que explica sua aparição repentina em grande quantidade.
Esses animais se alimentam principalmente de fitoplâncton, filtrando enormes volumes de água do mar, e podem se agrupar em cadeias ou enxames densos quando as condições ambientais são favoráveis.

Elas queimam como água-viva?
Não. Diferentemente das águas-vivas, as salpas não possuem células urticantes (cnidócitos) capazes de inocular veneno. Ainda assim, o contato com grandes quantidades desses organismos pode provocar coceira intensa, ardência leve ou sensação de irritação na pele, especialmente em pessoas mais sensíveis.
Esse desconforto ocorre principalmente por fatores mecânicos e químicos: o atrito com a pele, a liberação de substâncias orgânicas e a presença de muco podem causar reações cutâneas temporárias. Em geral, os sintomas desaparecem sozinhos após sair da água e lavar o corpo com água doce.
Ao contrário do que muitos pensam, a presença de salpas não é sinal de poluição. Elas costumam aparecer em águas limpas e ricas em nutrientes, onde há abundância de fitoplâncton. Em alguns casos, sua proliferação está associada a mudanças de temperatura da água, correntes oceânicas e até aos efeitos das mudanças climáticas.
Especialistas apontam que o aquecimento dos oceanos pode favorecer o crescimento rápido das salpas, consideradas um dos animais multicelulares de crescimento mais veloz do planeta — capazes de atingir a maturidade em apenas 48 horas.
Qual o papel das salpas no oceano?
Apesar do incômodo para banhistas, as salpas têm um papel ecológico importante. Elas ajudam no ciclo do carbono, capturando grandes quantidades de dióxido de carbono ao filtrar a água e transformando resíduos em pellets fecais que afundam rapidamente, processo conhecido como sequestro de carbono.
Por outro lado, em grandes quantidades, podem competir com outros organismos marinhos por alimento, o que desperta atenção de pesquisadores sobre possíveis impactos no equilíbrio da cadeia alimentar.
A recomendação é simples: evitar contato excessivo, sair da água caso haja grande concentração e lavar bem o corpo após o banho de mar. Não é necessário acionar autoridades ambientais, já que se trata de um fenômeno natural.




