Em um país de clima predominantemente quente como o Brasil, dirigir sem ar-condicionado muitas vezes deixa de ser apenas desconfortável e passa a ser um risco à segurança. Ainda assim, sempre que o preço da gasolina sobe, a velha frase volta à tona: “desliga o ar que economiza combustível”. Um vídeo recente publicado no Instagram pelo perfil Doutor-IE Inteligência Automotiva trouxe essa discussão ao mostrar que, em um teste prático, o consumo chegou a dobrar com o ar-condicionado ligado.
O próprio especialista ressalta, porém, que o resultado se refere exclusivamente ao carro testado, um Renault Kwid, e não pode ser generalizado para toda a frota nacional.
A explicação está na mecânica. Diferentemente de outros sistemas eletrônicos do veículo, o compressor do ar-condicionado é acionado diretamente pelo motor, por meio da correia de acessórios. Ao ligar o botão “A/C”, o motor passa a ter uma tarefa extra: além de movimentar o carro, precisa gerar força suficiente para manter o compressor em funcionamento.
Esse esforço adicional exige mais energia — e essa energia vem da queima de combustível. Ou seja, não há milagre: ar-condicionado ligado, consumo maior.
Dobrar o gasto é regra ou exceção?
De acordo com especialistas do setor automotivo, o resultado apresentado no vídeo do Doutor-IE Inteligência Automotiva representa um cenário extremo. Estudos técnicos e testes de mercado indicam que, na maioria dos veículos, o uso do ar-condicionado aumenta o consumo de combustível entre 5% e 20%, dependendo de fatores como:
- motorização e cilindrada;
- eficiência do sistema de climatização;
- peso do veículo;
- tipo de trajeto (urbano ou rodoviário);
- estado de manutenção do sistema.
Carros com motores menores, como o Kwid testado no vídeo, tendem a sentir mais o impacto, já que possuem menos potência disponível para lidar com cargas extras.
Cidade x estrada: o consumo muda
No trânsito urbano, onde há paradas frequentes e baixa velocidade, desligar o ar-condicionado pode gerar uma economia que chega a até 10%, especialmente em dias mais amenos. Já na estrada, a lógica se inverte.
A partir de cerca de 80 km/h, rodar com os vidros abertos aumenta significativamente o arrasto aerodinâmico. O vento entrando no carro funciona como um “paraquedas”, exigindo mais esforço do motor para manter a velocidade. Nessa situação, usar o ar-condicionado com os vidros fechados pode ser mais econômico do que viajar com tudo aberto.




