Os Estados Unidos deram um passo estratégico que chamou a atenção da comunidade internacional ao enviar à Europa seu mais novo e avançado avião de guerra eletrônica. O EA-37B Compass Call, desenvolvido pela L3Harris em parceria com a BAE Systems, realizou sua primeira aparição em solo europeu ao pousar, no dia 26 de janeiro, na base aérea de Ramstein, na Alemanha.
A chegada da aeronave marca o início de um “roadshow” promovido pelo Pentágono, que inclui paradas nas bases de Spangdahlem, também na Alemanha, e RAF Mildenhall, no Reino Unido. É a primeira vez que a versão mais moderna da plataforma Compass Call é apresentada diretamente a operadores da OTAN na Europa.
Segundo o tenente-coronel Ronnie Smith, chefe adjunto da divisão de operações futuras da Força Aérea dos EUA na Europa, o EA-37B representa um novo patamar na condução de conflitos modernos.
“À medida que entra em serviço operacional, essa aeronave entregará domínio decisório em todos os domínios”, afirmou.

Baseado em um jato executivo Gulfstream G550 modificado, o EA-37B abriga um sofisticado conjunto de sensores e sistemas de missão. O pacote de guerra eletrônica permite interferência eletromagnética de longo alcance, com capacidade para neutralizar defesas aéreas inimigas, interromper comunicações, sistemas de navegação, coleta de inteligência e redes de comando e controle.
Na prática, a aeronave é capaz de desorganizar completamente a chamada “cadeia de ataque” do adversário, que integra sensores e armas nos domínios aéreo, terrestre, marítimo, espacial e cibernético.
Substituto de veteranos de guerra e foco em conflitos futuros
O EA-37B substitui os antigos EC-130H Compass Call, aeronaves baseadas no cargueiro C-130 que tiveram atuação decisiva na Guerra do Iraque, interferindo comunicações insurgentes e até acionando dispositivos explosivos improvisados. Ao todo, 14 dessas aeronaves estão em processo de aposentadoria.
A nova versão começou a ser entregue à Força Aérea americana em 2023, com a primeira unidade operacional entrando em serviço em 2024, na base de Davis-Monthan, no Arizona. O plano atual prevê uma frota total de 10 aeronaves.
Para o capitão Tyler Laska, piloto do EA-37B, a superioridade informacional é determinante nos conflitos modernos.
“Cada segundo de hesitação que conseguimos impor ao adversário aumenta a sobrevivência das nossas forças em todos os domínios”, destacou.
Interesse europeu e reforço da OTAN
O impacto do EA-37B não se limita aos Estados Unidos. A Itália já assinou um contrato de US$ 300 milhões para adquirir pelo menos duas unidades, com autorização para comprar até quatro aeronaves, reforçando a integração tecnológica dentro da OTAN.
Diferente dos caças usados em missões de alto risco para supressão direta de defesas aéreas inimigas, o EA-37B atua à distância, oferecendo uma camada estratégica de guerra eletrônica que amplia a segurança das forças aliadas.




