Durante décadas, ele existiu apenas em livros antigos, registros de museus e relatos históricos. Grande, de plumagem azul-esverdeada intensa, bico vermelho e incapaz de voar, o takahē foi oficialmente declarado extinto no fim do século XIX. Agora, para a surpresa de biólogos e ambientalistas, o pássaro reapareceu — e hoje já soma cerca de 500 indivíduos vivendo em liberdade na Nova Zelândia.
Alguns exemplares chegam a 63 centímetros de altura, o que faz do takahē um dos maiores pássaros terrestres do país. O retorno da espécie é resultado de um trabalho contínuo de conservação que atravessa gerações e transformou uma extinção anunciada em um raro caso de recuperação bem-sucedida.
Parente distante da galinha-d’água, o takahē — também chamado de tacaé-do-sul — sempre teve hábitos totalmente terrestres. Adaptado a campos de gramíneas nativas em regiões montanhosas, ele depende de ambientes específicos, justamente os mais afetados pela ação humana ao longo do tempo.
No final do século XIX, após a captura do último exemplar conhecido, a espécie foi dada como extinta em 1898. A combinação de caça, destruição do habitat e a introdução de predadores como ratos, furões e gatos selou o desaparecimento do animal.
A história mudou em 1948, quando uma pequena população foi redescoberta em uma região remota e de difícil acesso nas montanhas de Fiordland, acima do lago Te Anau, na Ilha Sul. O isolamento, o clima rigoroso e a vegetação densa funcionaram como um refúgio natural por décadas.
Um dos maiores programas de conservação do mundo
A redescoberta levou o governo neozelandês a criar um programa exclusivo de proteção da espécie, considerado hoje referência mundial. O plano envolveu reprodução em cativeiro, criação de santuários livres de predadores e reintroduções graduais em áreas naturais.
Em agosto de 2023, por exemplo, 18 takahēs foram soltos no Vale de Greenstone, região onde a ave não era vista havia mais de 100 anos. No início deste ano, outros dez indivíduos reforçaram a nova colônia, que já apresenta sinais de reprodução natural.
“Tem sido maravilhoso ver como os tacaés se adaptaram ao novo habitat, com ninhos bem-sucedidos e filhotes saudáveis”, afirmou Gail Thompson, representante da tribo indígena Ngāi Tahu, que participa do Grupo de Recuperação do Takahē.
Proteção desde o nascimento
O cuidado com a espécie começa ainda nos ovos. Para evitar perdas, muitos são incubados artificialmente. Os filhotes são alimentados por pesquisadores com fantoches que imitam o bico vermelho da ave, técnica usada para evitar que se acostumem com humanos.
Depois, os jovens passam por ilhas-santuário protegidas até estarem prontos para voltar à natureza. Graças a esse manejo intensivo, o takahē segue classificado como ameaçado, mas já não corre risco iminente de desaparecer.




