A promessa de zerar a fila do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a campanha e reforçada no início do atual mandato, está cada vez mais distante da realidade. Dados mais recentes da Previdência Social mostram que quase 2,9 milhões de brasileiros aguardam a análise de pedidos de benefícios, o maior número já registrado, afetando diretamente aposentados, idosos de baixa renda e pessoas com incapacidade para o trabalho.
O volume representa quase o triplo da fila existente em janeiro de 2023, quando Lula assumiu o terceiro mandato, e evidencia um cenário oposto ao prometido pelo governo federal.
Em novembro, o total de requerimentos pendentes chegou a 2,9 milhões, superando todos os patamares anteriores. Em outubro, o número já havia alcançado 2,862 milhões, consolidando a maior fila da história do INSS. Desde o início de 2025, houve um crescimento de 23% no volume de novos pedidos, pressionando ainda mais o sistema.
Grande parte da fila é composta por solicitações de benefício por incapacidade temporária, que somam cerca de 1,3 milhão, e pelo Benefício de Prestação Continuada (BPC), com aproximadamente 1,1 milhão de pedidos, destinado a idosos e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade social.
Promessas não cumpridas e mudança de discurso
Durante a campanha presidencial de 2022, Lula afirmou que acabaria com a “vergonhosa fila do INSS”, destacando que a modernização digital permitiria mais agilidade. Já eleito, reforçou o compromisso. No entanto, passados quase três anos de governo, o cenário é de agravamento.
O então ministro da Previdência, Carlos Lupi, também prometeu zerar a fila ao assumir o cargo em 2023, mas recuou no discurso em 2024. “Quem diz que vai acabar com a fila é mentiroso”, afirmou, alegando a necessidade de análises rigorosas. A meta passou a ser reduzir o tempo de espera para 30 dias, mas hoje o prazo médio está em 35 dias, próximo do limite legal de 45 dias. Lupi deixou o governo em maio, em meio ao escândalo dos descontos indevidos em benefícios, sem cumprir a promessa.
Impacto fiscal e rigor maior nas concessões
O governo argumenta que acelerar a concessão de benefícios tem impacto direto nas contas públicas. Apenas o BPC custou R$ 10 bilhões em setembro, valor significativamente maior que os R$ 6,7 bilhões registrados no início do mandato. Além disso, o INSS endureceu regras para combater fraudes, adotando medidas como biometria e controles mais rígidos.
Outro fator de pressão é a via judicial: dos 6,5 milhões de beneficiários do BPC, cerca de 1 milhão obteve o direito por decisão da Justiça. Ainda assim, especialistas alertam que o cidadão que cumpre as regras não deveria arcar com o custo da lentidão provocada por fraudes e disputas judiciais.




