O uso de celulares em sala de aula passará a ser restringido também no ensino superior brasileiro. A partir dessa semana, instituições como Insper e ESPM vão proibir o uso de smartphones durante as aulas de graduação, ampliando para as universidades um movimento que ganhou força após a lei federal de 2025, que vetou os aparelhos na educação básica.
A decisão surge após queixas recorrentes de professores, que relatam dificuldades para manter a atenção dos estudantes em sala. Em alguns casos, docentes afirmam conseguir dialogar efetivamente com apenas uma pequena parcela da turma, enquanto o restante permanece concentrado nas telas dos celulares.
No Insper, faculdade privada reconhecida nacionalmente pelos cursos de Administração e Economia, a proibição foi comunicada aos cerca de 4 mil alunos de graduação nesta quinta-feira (29). Segundo a instituição, os celulares deverão permanecer fora de uso durante as aulas, exceto quando o professor autorizar explicitamente para fins pedagógicos.
A regra não prevê apreensão dos aparelhos, mas o aluno que insistir no uso poderá ser convidado a se retirar da sala. O uso de notebooks e tablets segue permitido para anotações e atividades acadêmicas. A medida não se aplica aos cursos de pós-graduação.
De acordo com o presidente do Insper, Guilherme Martins, a decisão está baseada em evidências científicas que associam o uso excessivo do celular à queda no desempenho acadêmico. “Esse comportamento de checar o celular toda hora atrapalhava muito a dinâmica em sala. Muitos professores diziam que estavam dando aula para apenas 10% da turma”, afirmou.
Estudos reforçam a decisão
Pesquisas internacionais também embasaram a mudança. Um estudo conduzido em 2024 por universidades da Pensilvânia (EUA) e de Copenhague, com cerca de 17 mil estudantes universitários na Índia, mostrou que a coleta obrigatória de celulares em sala resultou em notas mais altas, especialmente entre alunos com baixo desempenho, calouros e estudantes de áreas fora do eixo STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática).
O levantamento comparou turmas com livre acesso aos celulares e outras onde o uso foi proibido. Além da melhora nas notas, os pesquisadores observaram maior engajamento e participação em sala.




