Um anel de ouro com a imagem de Jesus Cristo, enterrado há cerca de 600 anos, foi encontrado em estado quase impecável durante escavações arqueológicas na cidade de Kalmar, no sul da Suécia. Datada do século XV, entre os anos de 1401 e 1500, a peça chamou a atenção de pesquisadores por resistir ao tempo sem apresentar desgaste significativo — algo raro mesmo entre artefatos valiosos.
A descoberta ocorreu durante um amplo projeto de escavação conduzido pelo grupo Arkeologerna, que investiga a antiga área urbana de Kalmar, importante centro medieval escandinavo. Segundo os especialistas, o anel provavelmente pertencia a uma mulher comum, e não a alguém da nobreza, contrariando expectativas iniciais associadas ao uso de ouro na Idade Média.
Descrito como um verdadeiro “milagre arqueológico”, o anel foi encontrado em um local interpretado como depósito de lixo medieval, o que reforça a hipótese de que tenha sido perdido acidentalmente há cerca de cinco séculos. Ainda assim, a joia apresenta detalhes bem preservados, sem rachaduras ou corrosão, com a imagem de Cristo claramente visível.
“É surpreendente encontrar uma peça de ouro com tanto tempo enterrada em condições tão boas. O anel parece quase novo”, afirmou Magnus Stibéus, arqueólogo responsável pelo projeto. “É como abrir uma janela direta para a vida cotidiana de séculos atrás.”

Escavação revela milhares de artefatos medievais
O achado faz parte de uma das maiores escavações já realizadas na região do Mar Báltico. Ao todo, os arqueólogos já catalogaram mais de 30 mil artefatos, datados entre os séculos XIII e XVII. Entre eles estão restos de construções, ruas, utensílios domésticos, moedas, armas e objetos religiosos.
Outro item de destaque foi um alsengem, amuleto medieval usado por peregrinos entre os séculos XIII e XIV. Diferente do anel, o objeto estava quebrado, o que sugere descarte intencional. Ambos foram encontrados em contextos semelhantes, reforçando a leitura arqueológica do local como área de resíduos urbanos.
Janela para a vida na Idade Média
Kalmar, que hoje tem cerca de 40 mil habitantes, foi um dos principais polos urbanos da Escandinávia medieval e cenário de eventos históricos marcantes, como a Guerra de Kalmar, em 1611. As escavações atuais abrangem cerca de 50 terrenos medievais, ruas antigas e trechos das muralhas da cidade.
Para os pesquisadores, o anel não é apenas uma joia rara, mas um símbolo do cotidiano religioso e social da época. “Conseguimos expor a Idade Média da cidade e entender como as pessoas viviam, no que acreditavam e como esses hábitos mudaram ao longo do tempo”, destacou Stibéus.
A peça agora passa por análises complementares e deve integrar exposições futuras, ampliando o acesso do público a um fragmento raro e bem preservado da história europeia medieval.




