Uma regra antiga da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas voltou ao centro do debate em Hollywood após declarações de Wagner Moura. Segundo as normas atuais do Oscar, caso O Agente Secreto conquiste a estatueta de Melhor Filme Internacional, o diretor Kleber Mendonça Filho não será considerado oficialmente um vencedor — situação que gerou críticas do ator brasileiro e trouxe questionamentos sobre o modelo da premiação.
Embora o Oscar de Melhor Filme Internacional traga gravado na estatueta o nome do diretor e dos produtores, o prêmio é oficialmente atribuído ao país que inscreveu a obra. Na prática, isso significa que os realizadores não entram para a lista formal de vencedores da Academia — a menos que concorram e vençam em categorias individuais, como Melhor Direção.
A regra, criada décadas atrás, tem sido alvo de críticas recorrentes, especialmente em anos em que filmes autorais se destacam internacionalmente. No caso de O Agente Secreto, a controvérsia ganhou força após Wagner Moura comentar publicamente o tema.
Wagner Moura cobra mudança
Em entrevista publicada nesta semana pela revista norte-americana Variety, o ator de 49 anos celebrou o reconhecimento do filme, mas classificou a regra como ultrapassada. Para ele, a Academia precisa rever com urgência o formato da categoria.

“Eu acho que o roteiro dele é brilhante. O roteiro de O Agente Secreto é uma das melhores coisas que eu já li. Kleber é a razão desse filme ser bem-sucedido”, afirmou Moura, ao defender que o diretor deveria ser reconhecido oficialmente em caso de vitória. Segundo o ator, a mudança é “desesperadamente necessária”.
Um forte candidato ao Oscar
Além de figurar entre os favoritos a Melhor Filme Internacional, O Agente Secreto conquistou indicações expressivas em outras três categorias: Melhor Filme, Melhor Elenco e Melhor Ator, com Wagner Moura. O desempenho amplia a visibilidade do cinema brasileiro e reforça o prestígio internacional de Kleber Mendonça Filho.
Ambientado durante o Carnaval da década de 1970, O Agente Secreto acompanha a trajetória de um homem perseguido pelas forças da ditadura militar brasileira. Mais do que um thriller político, o filme constrói um mosaico fragmentado e sensorial da sociedade da época, misturando mito, autobiografia, cultura popular e elementos fantásticos.
A obra se destaca pelo olhar atento às texturas do cotidiano brasileiro, reunindo referências a programas de rádio, lendas urbanas e folhetins que circulavam em uma sociedade marcada pela repressão e pela instabilidade. O resultado é um retrato frenético e, por vezes, desconcertante do país sob o regime militar.




