Quem utiliza o Pix precisa ficar atento às mudanças que entram em vigor a partir desta segunda-feira (2). O Banco Central determinou que todas as instituições financeiras passem a adotar integralmente o novo sistema de rastreamento estendido do Pix, uma atualização do Mecanismo Especial de Devolução (MED) criada para aumentar a recuperação de valores desviados em fraudes e golpes digitais.
A principal novidade é o funcionamento ampliado do MED. Até então, o mecanismo só conseguia bloquear valores na primeira conta que recebia o dinheiro. Se o golpista transferisse o montante rapidamente para outras contas, o rastreamento era interrompido e a chance de recuperação se tornava mínima.
Com as novas diretrizes, o sistema passa a operar no modelo conhecido como follow the money (“siga o dinheiro”). A partir da identificação de uma transação suspeita, o valor é marcado e rastreado ao longo de toda a cadeia de transferências, permitindo que bancos congelem os recursos mesmo que eles tenham passado por várias contas.
A mudança ocorre em meio a um cenário considerado crítico pelo Banco Central. Dados oficiais apontam que os golpes envolvendo Pix causaram prejuízo de R$ 4,9 bilhões em 2024, um aumento de 70% em relação ao ano anterior. Em 2025, a taxa média de recuperação de valores contestados ficou em torno de apenas 9%.
Segundo o BC, a nova tecnologia dificulta a principal estratégia dos criminosos: a pulverização rápida do dinheiro entre diversas contas para escapar do bloqueio.
Devolução mais rápida para vítimas
Outro ponto central da atualização é a redução do prazo para devolução do dinheiro ao usuário lesado. A expectativa é que, após a contestação da fraude, os valores retornem à conta do cliente em cerca de 11 dias — um tempo significativamente menor do que o praticado até agora.
Além disso, contas associadas a denúncias de fraude passarão a ser bloqueadas automaticamente, sem a etapa prévia de análise que existia no modelo anterior. A apuração continuará sendo feita, mas com a conta já travada preventivamente.
Mais integração e bloqueios preventivos
O novo modelo também prevê comunicação mais rápida entre instituições financeiras e órgãos de segurança pública, reduzindo atrasos na adoção de medidas emergenciais. Especialistas ouvidos por veículos como a CNN estimam que o conjunto de mudanças pode reduzir em até 40% o volume de fraudes bem-sucedidas.
Os bancos, por sua vez, terão de aplicar critérios mais rígidos para identificar operações suspeitas, reforçando o bloqueio preventivo de transações com indícios de irregularidade.




