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Animal dado como extinto ressurge na América do Sul e percorre 3.200 km até voltar ao habitat natural

Por Pedro Silvini
08/02/2026
Em Geral
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chaco seco animal

(Reprodução/APN)

Considerado extinto no norte da Argentina há mais de 110 anos, o guanaco, um dos maiores camelídeos da América do Sul, voltou a ocupar o antigo território no Chaco Seco. O retorno da espécie foi possível graças a uma operação inédita de conservação, que envolveu o transporte terrestre de 3.200 quilômetros, a maior translocação de fauna já registrada no mundo com fins ambientais.

O feito foi liderado pela organização Rewilding Argentina, em parceria com a Administração de Parques Nacionais e os governos das províncias de Chaco e Santa Cruz. Os animais foram levados do Parque Patagonia, no extremo sul do país, até o Parque Nacional El Impenetrable, onde o guanaco havia desaparecido no início do século 20.

A extinção local do guanaco no Chaco Seco foi causada por décadas de caça intensiva, avanço da pecuária, perda de pastagens naturais e uso inadequado do fogo. Embora a espécie ainda exista em outras regiões da América do Sul, sua ausência provocou um desequilíbrio ecológico profundo no bioma chaqueño.

Para viabilizar o retorno, os pesquisadores precisaram desenvolver técnicas inéditas de captura, manejo e transporte, além da construção de currais de pré-soltura e um trailer especial para deslocar grupos familiares inteiros. Antes da liberação definitiva, os guanacos passaram por um período de adaptação no parque, onde já nasceram os primeiros filhotes — conhecidos como chulengos — e os animais começaram a se alimentar da vegetação nativa.

Um elo perdido do ecossistema

O guanaco desempenha um papel ecológico fundamental. Como grande herbívoro, ele ajuda a modelar a paisagem, favorece a diversidade de plantas, reduz o risco de incêndios ao consumir vegetação seca e contribui para a redistribuição de sementes, nutrientes e carbono no solo. Além disso, integra cadeias alimentares mais amplas, servindo de presa para grandes predadores e alimento para carniceiros.

A ausência de animais como o guanaco, o veado-campeiro e o cervo-do-pantanal — também extintos localmente — resultou em um processo de degradação ambiental que espécies menores não conseguem compensar.

Guanaco (Reprodução/Reddit)

Antes da chegada dos colonizadores europeus, o guanaco era presença comum nos campos abertos do Chaco. Para os povos originários, o animal tem forte valor cultural. Os qom o chamam de Nawananga, os wichís de Lu’hüt e os guaranis de Guasukaka.

“Em tempos antigos, havia nawananga por todo o Chaco. Desde que os brancos chegaram, eles desapareceram”, recorda Montiel Romero, informante do povo qom, em depoimento resgatado pelo projeto.

Hoje, fora dessa reintrodução, restam apenas cerca de 100 indivíduos em áreas isoladas na fronteira entre Paraguai e Bolívia.

Monitoramento e futuro da espécie

Todos os guanacos liberados no Parque Nacional El Impenetrable usam coleiras com rádio VHF e GPS, que enviam dados via satélite. O monitoramento permite acompanhar a adaptação dos animais, seus deslocamentos e a interação com os diferentes ambientes do parque, incluindo áreas conhecidas localmente como “caños”, antigos leitos do rio Bermejo.

A expectativa é liberar novos grupos nos próximos anos, formando uma população viável e autossustentável.

Além do impacto ambiental positivo, o retorno do guanaco também fortalece o turismo de natureza na região. A observação de fauna silvestre já começa a atrair visitantes e criar novas oportunidades econômicas para comunidades locais, mostrando que conservação e desenvolvimento podem caminhar juntos.

Pedro Silvini

Pedro Silvini

Jornalista em formação pela Universidade de Taubaté (UNITAU), colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.

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