A megaloja das Lojas Americanas localizada no Shopping Parque Dom Pedro, em Campinas (SP), amanheceu cercada por tapumes nos últimos dias e gerou apreensão entre clientes e frequentadores do centro de compras. A imagem rapidamente levantou suspeitas de um novo fechamento definitivo, especialmente porque outras unidades da rede já encerraram atividades na cidade nos últimos anos.
Apesar da desconfiança, a administração do shopping e a própria empresa negam o encerramento da loja. Segundo as informações oficiais, o fechamento é temporário e ocorre por conta de uma reforma estrutural.
De acordo com a assessoria do Shopping Parque Dom Pedro, a unidade das Americanas entrou recentemente em obras e deve ser reaberta nos próximos meses, embora ainda não haja uma data definida para a retomada das atividades. A fachada foi isolada com tapumes justamente para a execução dos trabalhos de modernização.
Em nota, a assessoria de imprensa das Lojas Americanas confirmou que a intervenção faz parte de um processo de modernização e otimização da experiência de compra, estratégia que vem sendo adotada pela rede em pontos considerados estratégicos. A empresa reforçou que pretende manter a operação no shopping, afastando a possibilidade de fechamento definitivo.
Desconfiança cresce em meio à crise da empresa
Mesmo com a explicação oficial, o clima entre consumidores segue de cautela. A reação se deve, em grande parte, ao histórico recente da companhia, que atravessa uma de suas maiores crises após a revelação de um escândalo contábil bilionário.
Na semana passada, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) anunciou novos desdobramentos da força-tarefa que investiga as irregularidades da Americanas. O órgão abriu dois novos inquéritos administrativos e concluiu uma das apurações, passando a formular acusações formais contra a companhia e ex-executivos.
Segundo a CVM, as chamadas “inconsistências contábeis” reveladas em janeiro de 2023 foram, na verdade, resultado de uma complexa fraude, com o objetivo de manipular resultados financeiros e sustentar artificialmente a valorização das ações da empresa ao longo dos anos.
As novas investigações miram, entre outros pontos, a atuação de bancos, intermediários financeiros e o cumprimento dos deveres fiduciários de membros dos conselhos de administração e fiscal da companhia e de empresas do antigo grupo, como a B2W.
Em Campinas, a rede já fechou outras unidades nos últimos anos, o que contribui para o receio de consumidores diante de qualquer sinal de interrupção nas atividades. Especialistas avaliam que, mesmo com o processo de recuperação judicial em curso, a Americanas segue ajustando sua rede física, priorizando lojas consideradas mais rentáveis ou estratégicas.




