O Tesouro Nacional prepara para março o lançamento de um novo título público voltado a ampliar o acesso de pessoas físicas ao mercado de renda fixa. Chamado de Tesouro Reserva, o papel permitirá compra e resgate 24 horas por dia, sete dias por semana, marcando uma mudança estrutural no funcionamento do Tesouro Direto e aproximando o investimento público da lógica de conta digital.
A novidade faz parte de uma reformulação mais ampla do programa, que passará a operar em uma plataforma contínua, com liquidação financeira via Pix, eliminando as janelas restritas de negociação que hoje limitam o acesso de parte da população.
O Tesouro Reserva será atrelado à taxa Selic, assim como o Tesouro Selic tradicional, mas com características desenhadas para quem busca simplicidade, liquidez imediata e previsibilidade. O título terá vencimento de três anos, porém com liquidez diária, permitindo o resgate a qualquer momento, sem oscilação de preço no caso de venda antecipada.
Segundo o Tesouro Nacional, o novo produto poderá receber aplicações a partir de R$ 1, mesmo que o valor nominal do título seja de R$ 10. A proposta é atender especialmente investidores iniciantes e pessoas que utilizam o investimento como reserva de emergência.
“Estamos lançando um título pensado para quem quer rentabilidade, mas também segurança, sem correr risco de perda por marcação a mercado”, afirmou o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron. “Ele vai funcionar 24 por 7 justamente para alcançar as camadas da população que não conseguem investir durante o horário comercial”, completou.
Plataforma 24×7 e disputa com CDBs
O Tesouro Reserva estreia junto com a nova plataforma do Tesouro Direto, que funcionará em regime ininterrupto, algo inédito para títulos públicos no Brasil. A expectativa é que o produto dispute espaço com CDBs de liquidez diária, hoje dominantes no mercado de reserva de emergência.
Na prática, o investidor poderá comprar ou vender o título a qualquer hora, inclusive fins de semana e feriados, com o valor do resgate sendo creditado de forma imediata, graças à integração com o Pix.
“O investidor vai poder resgatar no momento em que quiser, sem variação de preço e com aplicação mínima extremamente baixa”, destacou Ceron.
Tesouro Direto em expansão
O lançamento ocorre em um momento de forte crescimento do Tesouro Direto. O programa encerrou 2025 com mais de 3,4 milhões de investidores ativos e um estoque superior a R$ 213 bilhões em títulos públicos nas mãos de pessoas físicas.
Ao longo do ano passado, as vendas ultrapassaram R$ 89 bilhões, o maior volume já registrado na série histórica. Parte desse avanço é atribuída à popularização da renda fixa em um ambiente de juros elevados e à busca por alternativas seguras frente à volatilidade de outros ativos.




