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Fim de acordo entre EUA e Rússia: guerra nuclear pode acontecer a qualquer momento

Por Pedro Silvini
05/02/2026
Em Geral
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Trump

Imagem: (Reprodução/AP)

O mundo entrou, nesta quarta-feira (4), em um território inédito e considerado altamente perigoso no cenário geopolítico global. Com o fim oficial do tratado New START, Estados Unidos e Rússia deixaram de ter qualquer acordo que limite a produção, o posicionamento e a quantidade de ogivas nucleares estratégicas. Especialistas avaliam que a decisão abre caminho para uma nova corrida armamentista e eleva o risco de uso de armas nucleares ao maior nível das últimas décadas.

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Assinado em 2010, em Praga, pelos então presidentes Barack Obama e Dmitry Medvedev, o New START era o último grande pilar do controle de armas nucleares entre Washington e Moscou. O acordo restringia cada país a 1.550 ogivas nucleares estratégicas implantadas, uma redução de quase 30% em relação aos limites anteriores. Com o vencimento do tratado, nenhuma dessas restrições permanece em vigor.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou o momento como “grave para a paz e a segurança internacionais”. Segundo ele, esta é a primeira vez, em mais de 50 anos, que o planeta vive sem qualquer limite vinculante sobre os arsenais nucleares das duas nações que concentram mais de 80% das ogivas nucleares do mundo.

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“A dissolução de décadas de conquistas não poderia ocorrer em um momento pior. O risco do uso de uma arma nuclear é hoje o maior em décadas”, afirmou Guterres, lembrando inclusive declarações recentes da Rússia sobre o possível uso de armas nucleares táticas no contexto da guerra na Ucrânia.

O alerta foi reforçado por líderes políticos e religiosos. O papa Leão XIV pediu que os dois países façam “todo o possível” para evitar uma nova corrida armamentista, enquanto o ex-presidente dos EUA Barack Obama declarou que o fim do tratado “torna o mundo menos seguro”.

Tensões políticas e impasse diplomático

O acordo chegou a ser prorrogado por cinco anos em 2021, durante o início do governo de Joe Biden. No entanto, as relações entre Estados Unidos e Rússia se deterioraram rapidamente após a invasão da Ucrânia, inviabilizando qualquer avanço nas negociações para um novo tratado.

Durante o governo Donald Trump, propostas russas para extensões temporárias do acordo não avançaram. Trump, inclusive, já criticou abertamente tratados internacionais de controle nuclear e chegou a defender a retomada de testes atômicos, embora isso não tenha sido implementado.

A Rússia afirmou que não está mais vinculada a nenhuma obrigação do New START, mas disse que pretende agir de forma “responsável e prudente”, alertando que tomará medidas “decisivas” caso sua segurança nacional seja ameaçada.

Impacto global e o papel da China

Especialistas alertam que o fim do New START não afeta apenas EUA e Rússia. A ausência de limites pode enfraquecer o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), que será revisado ainda este ano e é fundamental para impedir que novos países desenvolvam armas nucleares.

Os Estados Unidos defendem que qualquer novo acordo inclua a China, cujo arsenal nuclear cresce rapidamente e já conta com cerca de 550 lançadores estratégicos — número ainda inferior aos de Washington e Moscou, mas em expansão constante. França e Reino Unido, aliados dos EUA, somam cerca de 100 ogivas adicionais.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Pedro Silvini

Pedro Silvini

Jornalista com formação em Mídias Sociais Digitais, colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.

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