Após uma década marcada por estagnação na abertura de novas fronteiras exploratórias, o Brasil encerrou 2025 com duas descobertas estratégicas de petróleo que podem render bilhões de reais aos cofres públicos. As áreas identificadas pela Petrobras ficam na Margem Equatorial, na bacia da Foz do Amazonas, e na tradicional Bacia de Campos, no litoral do Rio de Janeiro, e reforçam o potencial energético do país mesmo em um cenário global de transição energética.
A principal aposta está na bacia da Foz do Amazonas, na chamada Margem Equatorial brasileira. Segundo documento do Ministério de Minas e Energia, a região pode concentrar até 10 bilhões de barris de petróleo recuperáveis, volume semelhante às grandes descobertas feitas recentemente na Guiana e no Suriname e próximo às reservas exploráveis atuais do pré-sal, estimadas em cerca de 12 bilhões de barris.
Caso o potencial se confirme, a exploração pode atrair US$ 56 bilhões em investimentos e gerar uma arrecadação estatal estimada em US$ 200 bilhões ao longo do tempo. A Petrobras já realiza perfurações exploratórias na área, após um processo considerado longo e conturbado de licenciamento ambiental.
A Margem Equatorial, que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte, é vista como uma das últimas grandes fronteiras petrolíferas do país, mas enfrenta forte resistência de ambientalistas e preocupação de comunidades tradicionais e povos indígenas da região.
Incidente ambiental traz alerta
As discussões sobre a exploração na Foz do Amazonas ganharam novo peso após um incidente ocorrido em janeiro, quando cerca de 15 mil litros de fluido sintético de perfuração vazaram em alto-mar, a 175 quilômetros da costa do Amapá. Segundo a Petrobras, não houve vazamento de petróleo e o material é biodegradável, sem danos ao meio ambiente.
O Ibama confirmou que a perfuração foi suspensa por segurança e que o caso está sob investigação administrativa. Ainda assim, o episódio aumentou a pressão sobre o licenciamento e levantou críticas sobre a comunicação com populações locais, que não teriam sido informadas sobre o ocorrido.
Novo reservatório na Bacia de Campos
Além do Norte do país, a Petrobras também confirmou a descoberta de um novo reservatório na Bacia de Campos, no litoral fluminense. As avaliações iniciais indicam que o petróleo encontrado é de excelente qualidade, o que aumenta sua atratividade econômica.
A Bacia de Campos foi responsável por grande parte da produção nacional nas décadas passadas e, mesmo com a ascensão do pré-sal, continua relevante. A nova descoberta pode prolongar a vida útil da região e gerar receitas bilionárias adicionais para a União, estados e municípios produtores.
Exploração segue em ritmo lento
Apesar das descobertas, dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que a atividade exploratória no Brasil segue em baixa. Em 2025, foram perfurados apenas 19 poços exploratórios, número muito distante do pico registrado em 2011, quando o país chegou a 150 poços em um único ano.
A queda começou após a crise do petróleo de 2014, quando o barril chegou a US$ 40, e se agravou nos anos seguintes, mesmo com a recuperação parcial dos preços. Analistas do Ineep apontam que a expectativa de petróleo mais barato e as exigências ambientais reduzem o apetite das empresas por novos investimentos exploratórios.




