Um dos imóveis mais caros e emblemáticos de São Paulo acaba de trocar de mãos. O empresário Joesley Batista, coproprietário da JBS, fechou a compra da mansão que pertenceu a Abílio Diniz, no Jardim América, por R$ 250 milhões. A transação marca não apenas uma das maiores negociações imobiliárias da cidade, mas também simboliza o reposicionamento definitivo de Batista entre a elite econômica brasileira, quase uma década após o auge da Operação Lava Jato.
Localizada em uma das regiões mais valorizadas da capital paulista, a residência adquirida por Joesley Batista é considerada um ícone do bairro Jardim América. O imóvel pertenceu a Abílio Diniz, fundador e principal nome do Grupo Pão de Açúcar, que morreu em 2024 e deixou um legado central na história do varejo brasileiro.
Segundo apuração do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, o valor de R$ 250 milhões coloca o casarão entre os imóveis residenciais mais caros já negociados em São Paulo.

A compra ocorre em um momento de intensa movimentação política e empresarial de Joesley Batista. Nos últimos meses, o empresário voltou a circular com frequência em agendas de alto nível, mantendo encontros com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o presidente dos Estados Unidos Donald Trump e com a vice-presidente venezuelana Delcy Rodríguez.
Recentemente, Joesley também esteve na Venezuela, onde se reuniu com Nicolás Maduro. A visita teve como objetivo pressionar o líder venezuelano a deixar o poder, movimento alinhado a interesses estratégicos dos Estados Unidos, especialmente sob influência do governo Trump.
Do escândalo à reconstrução empresarial
Em 2017, Joesley Batista tornou-se um dos principais personagens da Lava Jato, ao firmar acordo de delação premiada que revelou esquemas de corrupção envolvendo políticos e agentes públicos. Acusado de crimes como corrupção ativa, organização criminosa e lavagem de dinheiro, o empresário chegou a ficar preso por cerca de seis meses, sendo solto em 2018.
Apesar do impacto reputacional, o grupo J&F conseguiu atravessar a crise. A JBS manteve sua operação global, retomou o crescimento e consolidou-se como a maior empresa de carnes do mundo.
Nos últimos anos, o conglomerado acelerou sua diversificação. A Âmbar Energia expandiu investimentos em geração elétrica, enquanto a Fluxus, criada em 2023, marcou a entrada do grupo no setor de óleo e gás. No mercado financeiro, a JBS transferiu suas ações para a Bolsa de Nova York (NYSE), e o PicPay também passou a ter papéis negociados nos Estados Unidos.
Uma subsidiária americana do grupo chegou a doar US$ 5 milhões ao comitê de posse de Donald Trump, reforçando os vínculos políticos com o governo norte-americano.




