A transição para a aposentadoria, geralmente por volta dos 65 anos, costuma provocar mudanças significativas na organização do tempo cotidiano. Sem as obrigações profissionais e os horários fixos de deslocamento, muitas pessoas passam a enfrentar dificuldades para manter padrões regulares de sono.
Essa alteração na rotina pode interferir diretamente no relógio biológico, resultando tanto em despertares precoces quanto em períodos prolongados na cama que não se traduzem em descanso de qualidade. Especialistas em sono destacam que a definição de horários consistentes é um dos principais fatores para preservar o equilíbrio fisiológico nessa fase da vida.
Opiniões de especialistas
Christopher Winter, neurologista formado pela Universidade da Virgínia e pela Emory University, diretor da clínica Charlottesville Neurology and Sleep Medicine, nos Estados Unidos, e pesquisador reconhecido internacionalmente na área de sono e desempenho humano, afirmou ao jornal La Nacion que costuma orientar aposentados a adotarem um horário fixo para despertar.
Segundo ele e outros especialistas, o intervalo mais indicado situa-se entre 6h30 e 7h30 da manhã. Esse período estaria alinhado aos ritmos circadianos naturais, favorecendo a utilização da luz solar como sinal biológico para regular a produção de melatonina, hormônio responsável pela indução do sono, e para aumentar o estado de alerta nas primeiras horas do dia.
Acordar dentro dessa faixa contribui para uma melhor sincronização entre o ciclo de descanso e o ciclo claro-escuro, o que reduz a sonolência diurna e estimula um sono noturno mais profundo. A exposição matinal à luz natural também é associada a maior disposição física e a um estado de ânimo mais estável ao longo do dia.
A escolha do horário ideal, no entanto, não é universal. Jade Wu, especialista em medicina comportamental do sono, explicou ao La Nacion que essa decisão depende do cronotipo individual, ou seja, da tendência biológica de cada pessoa a ser mais ativa pela manhã ou à noite. De acordo com a especialista, a adaptação será mais positiva quando respeita esse perfil natural.
Além do horário de despertar, os especialistas recomendam atenção aos cochilos diurnos. Embora breves períodos de descanso possam ser úteis, sestas longas tendem a atrasar o sono noturno e a desorganizar o ritmo biológico.
A prática de atividade física leve pela manhã, como caminhadas ou alongamentos, também é apontada como um estímulo importante para o relógio interno, especialmente quando realizada ao ar livre, ampliando a exposição à luz.




