O WhatsApp acusou o governo da Rússia de tentar bloquear completamente o aplicativo no país para forçar a migração de usuários para uma plataforma estatal. A denúncia foi feita pela Meta, empresa controladora do serviço, após restrições técnicas que dificultaram o acesso ao mensageiro para milhões de russos.
Segundo comunicado da companhia, a medida representa uma tentativa de isolar mais de 100 milhões de usuários de um serviço considerado privado e seguro. “Tentar isolar mais de 100 milhões de usuários de uma comunicação privada e segura é um retrocesso”, afirmou o WhatsApp.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, confirmou que o serviço foi bloqueado por descumprimento da legislação local. De acordo com ele, a decisão foi tomada porque a Meta não teria cumprido exigências da lei russa.
Como alternativa, Peskov sugeriu que a população passe a utilizar o MAX, mensageiro estatal descrito pelo governo como um “aplicativo nacional em desenvolvimento”.
Críticos afirmam que o MAX pode ser utilizado como ferramenta de vigilância, acusação que é negada pelas autoridades russas. O governo sustenta que a plataforma integra serviços públicos e foi criada para facilitar a vida dos cidadãos.
Pressão crescente sobre plataformas estrangeiras
O bloqueio ocorre após meses de restrições progressivas ao WhatsApp e a outras plataformas estrangeiras. Desde agosto, autoridades russas vinham limitando funcionalidades de aplicativos de mensagens, alegando falta de cooperação em investigações relacionadas a fraudes e terrorismo.
Além do WhatsApp, redes como Facebook, Instagram, YouTube e Snapchat já enfrentam bloqueios ou restrições no país. A Meta, inclusive, foi classificada anteriormente como “organização extremista” pelas autoridades russas.
Na prática, alguns domínios ligados ao WhatsApp deixaram de constar no registro nacional de domínios da Rússia, impedindo que dispositivos no país recebessem os endereços IP necessários para funcionamento do aplicativo. O acesso passou a ser possível apenas por meio de redes privadas virtuais (VPNs).
A ofensiva contra o WhatsApp reflete um movimento mais amplo do governo russo para consolidar uma infraestrutura digital considerada “soberana”, reduzindo a dependência de empresas estrangeiras e ampliando o controle sobre as comunicações online.




