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Antes de virar potência global, China aprendeu com o Brasil tudo sobre a tecnologia do século

Por Pedro Silvini
13/02/2026
Em Geral
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Brasil e China

(Reprodução/IStock)

Hoje protagonista da nova corrida espacial e concorrente direta dos Estados Unidos, a China nem sempre ocupou posição de liderança no setor. Nos anos 1980, quando ainda estruturava seu programa espacial, o país asiático buscou no Brasil parte do conhecimento que ajudaria a impulsionar sua trajetória tecnológica.

Cientistas chineses vieram ao Brasil para aprender com pesquisadores que haviam feito estágio na Nasa. O intercâmbio marcou o início de uma cooperação que se tornaria referência internacional em parcerias entre países em desenvolvimento.

A aproximação ganhou força com a assinatura do Acordo de Cooperação Científica e Tecnológica, em 1984. A iniciativa foi considerada pioneira dentro do modelo de cooperação Sul-Sul, envolvendo principalmente Brasil, China e, em outros projetos, a Argentina.

O marco mais conhecido dessa parceria é o programa CBERS (Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres). Após pouco mais de uma década de trabalho conjunto, o primeiro satélite foi lançado com sucesso em 1999, a partir da China.

CBERS 4A (Reprodução/MundoGEO)

Até hoje, os satélites desenvolvidos pelos dois países são utilizados no monitoramento do desmatamento da Amazônia, na previsão meteorológica e no apoio ao agronegócio. Segundo Marco Antonio Chamon à CNN, presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), o CBERS continua sendo uma referência mundial de cooperação tecnológica entre países do Sul Global.

Caminhos diferentes ao longo das décadas

Desde os anos 1980, Brasil e China passaram por transformações econômicas profundas. A China se consolidou como a segunda maior economia do mundo, alcançando um PIB de US$ 17,73 trilhões em 2021, com crescimento robusto mesmo após a pandemia.

O Brasil, por sua vez, registrou expansão até 2011, mas enfrentou forte retração entre 2015 e 2016 e nova queda em 2020, impactado pela crise sanitária. Embora tenha apresentado recuperação em 2021, o país permaneceu em patamar inferior ao dos anos anteriores.

Para o professor da UERJ e especialista em relações China-Brasil, Maurício Santoro, o programa espacial chinês recebeu prioridade estratégica do governo e investimentos crescentes ao longo dos anos.

“O programa espacial se manteve como algo importante para o governo chinês e ganhou mais recursos. A China foi capaz de prosperar. O Brasil manteve seu programa, que é relevante, mas não alcançou o nível de sofisticação tecnológica que os chineses atingiram nas últimas décadas”, afirmou em entrevista à CNN Brasil.

Segundo ele, um diferencial foi a capacidade dos cientistas chineses de se articularem politicamente dentro do governo do Partido Comunista Chinês, garantindo continuidade e financiamento aos projetos.

Parceria continua no século XXI

Apesar das diferenças no ritmo de avanço tecnológico, a cooperação entre os dois países segue ativa. Em 2025, Brasil e China anunciaram a construção de um novo laboratório conjunto voltado ao desenvolvimento de tecnologias espaciais, com participação da estatal chinesa CETC.

acordo Brasil-China
(Reprodução/AFP)

O projeto está ligado a iniciativas científicas mais amplas na América do Sul, incluindo planos para grandes telescópios na região.

Pedro Silvini

Pedro Silvini

Jornalista com formação em Mídias Sociais Digitais, colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.

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