A Meta, empresa de Mark Zuckerberg e dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, obteve em dezembro uma patente que descreve o uso de modelos de linguagem baseados em inteligência artificial para simular a atividade de usuários nas redes sociais — inclusive após a morte.
De acordo com documentos analisados pelo Business Insider, a tecnologia permitiria a criação de uma espécie de “clone digital”, capaz de interagir com amigos e seguidores com base no histórico de comportamento do próprio usuário.
Segundo a patente, registrada inicialmente em 2023 e concedida no fim de dezembro, o sistema utilizaria um LLM (modelo de linguagem de grande escala) treinado com dados específicos da conta, como:
- Publicações antigas
- Comentários
- Curtidas
- Mensagens diretas (DMs)
- Padrões de interação
O documento afirma que o modelo poderia ser usado “para simular o usuário quando ele estiver ausente do sistema de rede social, por exemplo, durante uma longa pausa ou se estiver falecido”.
O clone digital poderia:
- Curtir e comentar publicações;
- Responder mensagens privadas;
- Publicar novos conteúdos no estilo do usuário;
- Participar de chamadas de áudio e vídeo simuladas.
A patente argumenta que a ausência de um usuário impacta a experiência de seus seguidores — especialmente no caso de criadores de conteúdo e influenciadores.
“O impacto é muito mais severo e permanente se o usuário estiver falecido e nunca puder retornar à plataforma”, diz o documento.
Para esses casos, a IA preencheria o “vazio digital”, mantendo a presença ativa da conta.
Andrew Bosworth, CTO da Meta, aparece como principal autor da patente.
Meta diz que não pretende implementar a ideia
Após a repercussão, um porta-voz da empresa afirmou ao Business Insider que a Meta não tem planos de levar essa tecnologia adiante neste formato.
A empresa destacou que o registro de patente serve para proteger ideias e conceitos, mas isso não significa necessariamente que a tecnologia será desenvolvida ou aplicada.
Debate ético e limites da IA
O tema traz discussões sobre o destino de perfis digitais após a morte. Atualmente, redes sociais permitem transformar contas em memoriais ou excluí-las mediante solicitação da família.
A possibilidade de uma IA manter contas ativas levanta questionamentos sobre:
- Consentimento pós-morte;
- Impacto emocional para familiares;
- Uso comercial da imagem digital;
- Limites éticos da inteligência artificial.
Em entrevistas anteriores, Mark Zuckerberg já sugeriu que avatares virtuais poderiam assumir papéis sociais e até servir como companhia para usuários solitários.




