O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (19) que decidirá nos próximos 10 a 15 dias, prazo que pode se estender até 1º de março, se mantém as negociações diplomáticas com o Irã ou se autoriza uma ofensiva militar contra o país. A declaração eleva a tensão internacional e reacende temores de um conflito de grandes proporções no Oriente Médio.
“Vamos fazer um acordo significativo. Caso contrário, coisas ruins vão acontecer”, disse Trump durante reunião em Washington. Horas depois, a bordo do Air Force One, reforçou que o prazo máximo para uma definição será de “dez, quinze dias”.
Enquanto mantém negociações sobre o programa nuclear iraniano, Washington intensificou sua presença militar na região. O governo americano já deslocou o porta-aviões USS Abraham Lincoln para o Oriente Médio, e um segundo grupo, liderado pelo USS Gerald Ford, está a caminho. Parte do pessoal militar foi temporariamente reposicionada para a Europa ou para os Estados Unidos, medida considerada padrão antes de possíveis operações.

Autoridades ouvidas pela imprensa americana afirmam que as Forças Armadas estão preparadas para uma eventual ação, embora a Casa Branca ainda não tenha tomado decisão final. As discussões seguem em curso e envolvem riscos de escalada e impactos políticos e militares.
Em resposta às ameaças, o embaixador iraniano na ONU, Amir-Saeid Iravani, enviou carta ao secretário-geral António Guterres e aos membros do Conselho de Segurança alertando para possíveis retaliações caso os EUA avancem com uma operação.
O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, também reagiu nas redes sociais, sugerindo que o país possui capacidade de resposta contra forças americanas na região.
Negociações travadas
Delegações dos dois países participaram recentemente de conversas mediadas em Genebra, na Suíça. Apesar de relatos de algum progresso, a Casa Branca reconhece que ainda há divergências significativas. “Estamos muito distantes em alguns pontos”, afirmou a secretária de imprensa Karoline Leavitt.
Segundo o governo americano, a diplomacia continua sendo a primeira opção, mas há “muitos argumentos” que poderiam justificar uma ofensiva. O secretário de Estado, Marco Rubio, deve se reunir nas próximas semanas com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, para discutir o cenário.
Analistas apontam que uma eventual operação militar contra o Irã poderia se transformar em uma campanha prolongada, com duração de semanas, ampliando a instabilidade regional e elevando o risco de envolvimento indireto de outros atores internacionais.




