Uma distração sob a chuva, em 1986, transformou um momento constrangedor em uma das soluções mais simples — e geniais — da indústria automotiva. Ao estacionar do lado errado da bomba de combustível, o engenheiro da Ford Jim Moylan teve a ideia que mudaria a experiência de milhões de motoristas: a pequena seta ao lado do marcador de combustível que indica em qual lado do carro fica a tampa do tanque.
Quatro décadas depois, o recurso é praticamente universal. Moylan, que morreu em dezembro de 2025 aos 80 anos, dificilmente é um nome conhecido do grande público. Mas sua invenção se tornou parte do cotidiano de quem dirige.
Naquele dia chuvoso de abril de 1986, Moylan trabalhava na divisão de plásticos, tintas e acabamentos da Ford, em Dearborn, nos Estados Unidos. Ao pegar um carro da frota interna da empresa para ir a uma reunião, percebeu que o tanque estava quase vazio. Parou em um posto próximo — e só então notou que havia estacionado com o lado errado voltado para a bomba.

Precisou manobrar o veículo e acabou se molhando completamente. O incômodo, no entanto, virou insight. Ao retornar ao escritório, ainda de casaco encharcado, sentou-se para redigir uma proposta simples: incluir um indicador próximo ao marcador de combustível que mostrasse ao motorista em qual lado do veículo estava a portinhola do tanque.
No memorando, datado de 17 de abril de 1986, ele sugeriu que o símbolo fosse discreto e direto, apenas para “descrever ao motorista de que lado do veículo está localizada a tampa do tanque”.

Da sugestão ao padrão mundial
A ideia foi bem recebida internamente. Três anos depois, a novidade estreou nos modelos Ford Escort e Mercury Tracer, em 1989. Rapidamente, tornou-se padrão na linha da montadora e, em seguida, foi adotada por fabricantes no mundo todo.
A chamada “seta de Moylan” passou a ser especialmente útil para quem dirige carros diferentes com frequência, como veículos alugados ou de frota, além de famílias com mais de um automóvel na garagem. Um detalhe quase imperceptível que evita manobras desnecessárias — e constrangimentos no posto.
A história voltou a ganhar destaque recentemente em um episódio de uma série da própria Ford sobre o acervo histórico, reforçando como uma solução simples pode ter impacto global.




