Um dos países mais fechados do planeta, a Coreia do Norte figura como a terceira maior força naval do mundo, segundo o ranking de 2024 do site internacional Global Fire Power. O levantamento considera o número total de navios de guerra e submarinos em operação — e coloca o regime de Pyongyang à frente, inclusive, dos Estados Unidos.
De acordo com os dados, a Rússia lidera a lista, com 781 embarcações militares. Na sequência aparecem China (730 navios), Coreia do Norte (505), Estados Unidos (472) e Suécia (353). O Brasil ocupa a 23ª posição, com 134 navios.
Apesar da posição de destaque no ranking, a Marinha norte-coreana é cercada de mistério. O país impõe severas restrições à imprensa internacional, o que dificulta a obtenção de informações detalhadas sobre sua estrutura militar.
Historicamente, o regime concentrou esforços no desenvolvimento de armas nucleares e mísseis balísticos. No entanto, nos últimos anos, Pyongyang tem ampliado investimentos em sua capacidade naval, especialmente em submarinos com potencial para lançamento de mísseis balísticos (SLBMs).
Especialistas avaliam que o movimento faz parte de uma estratégia de dissuasão militar, sobretudo diante das tensões com Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão. Uma capacidade nuclear baseada no mar aumentaria o poder de resposta do regime em caso de ataque.

Estrutura numerosa, mas limitada
Embora o número de embarcações impressione, a maior parte da frota norte-coreana é composta por embarcações menores, como barcos-patrulha, lanchas lançadoras de mísseis e submarinos antigos movidos a diesel.
A construção de navios mais modernos e submarinos nucleares enfrenta obstáculos tecnológicos e econômicos, agravados por sanções internacionais que limitam o acesso a materiais e componentes avançados.
Ainda assim, a quantidade expressiva de meios navais garante à Coreia do Norte um papel relevante no equilíbrio militar do Leste Asiático, especialmente em águas próximas à Península Coreana.
Aliança estratégica com a Rússia
O fortalecimento militar ocorre em meio a uma aproximação inédita entre Coreia do Norte e Rússia. Em junho de 2024, os dois países assinaram um Tratado de Parceria Estratégica Abrangente, prevendo assistência mútua em caso de ataque.
Nos meses seguintes, Pyongyang enviou milhares de militares e engenheiros para apoiar esforços russos, aprofundando uma cooperação que remete aos tempos da União Soviética.
Esse alinhamento reforça o peso geopolítico da Coreia do Norte e amplia preocupações internacionais sobre uma possível escalada militar na região.
Impactos globais
O crescimento da capacidade naval norte-coreana pode intensificar uma corrida armamentista no Nordeste Asiático. Países como Coreia do Sul e Japão já vêm ampliando seus investimentos em defesa marítima, enquanto os Estados Unidos mantêm forte presença militar na região.
Além disso, as águas próximas à Península Coreana concentram rotas estratégicas do comércio internacional. Um eventual aumento de tensões pode afetar cadeias logísticas globais.




