A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou nesta semana o surgimento de uma nova variante do vírus da Mpox, resultado da recombinação genética entre dois tipos distintos do MPXV. O novo vírus foi identificado após dois registros: um no Reino Unido, em dezembro de 2025, e outro na Índia, detectado em janeiro de 2026 a partir de amostra coletada meses antes.
Segundo especialistas, a mutação ocorreu quando uma mesma pessoa foi infectada simultaneamente por dois clados diferentes do vírus, permitindo a troca de material genético e o surgimento de uma cepa híbrida.
O caso identificado no Reino Unido revelou a mistura de material genético dos clados Ib e IIb do MPXV. De acordo com Jesse Dunning, especialista em doenças infecciosas do Instituto de Ciências da Pandemia da Universidade de Oxford, a recombinação provavelmente aconteceu dentro de células humanas.
Embora ainda não haja evidências de que a nova variante seja mais transmissível ou mais grave, autoridades de saúde monitoram de perto o comportamento do vírus.
Monitoramento internacional
Em Singapura, por exemplo, as autoridades sanitárias informaram que não há registros da nova cepa no país. Todos os cinco casos confirmados em 2026 estão relacionados ao clado IIb, responsável pelo surto global iniciado em 2022.
A Agência de Doenças Transmissíveis do país afirmou que acompanha atentamente possíveis mudanças na transmissibilidade e na gravidade da nova variante.
Especialistas ressaltam que vírus evoluem constantemente à medida que sofrem mutações em seu material genético — processo semelhante ao observado durante a pandemia de Covid-19, quando novas variantes surgiram ao longo da disseminação global.
Situação global da Mpox
A Mpox, anteriormente conhecida como varíola dos macacos, foi identificada pela primeira vez em 1958 em macacos de laboratório na Dinamarca. O primeiro caso humano foi registrado em 1970, na República Democrática do Congo.
Desde a erradicação da varíola, em 1980, a circulação da Mpox aumentou. Os dois principais clados do vírus são mais prevalentes na África Ocidental e Central, além de partes da Ásia. O subtipo IIb foi o principal responsável pelo surto internacional iniciado em 2022, que atingiu principalmente Ásia, Europa e Américas.
Em agosto de 2024, a OMS declarou emergência de saúde pública global devido ao aumento de casos envolvendo os clados I e II. A medida foi suspensa em setembro de 2025 após redução dos números, embora o vírus continue circulando em diferentes regiões.
Somente na República Democrática do Congo, mais de 20 mil casos foram registrados nos primeiros dez meses de 2025.
Como ocorre a transmissão
Em humanos, a Mpox é transmitida principalmente por contato direto com pessoas infectadas, incluindo:
- Contato com lesões de pele
- Relações sexuais
- Contato boca a boca
- Exposição a partículas respiratórias
- Objetos contaminados, como roupas e agulhas
Gestantes infectadas também podem transmitir o vírus ao bebê durante a gravidez ou no parto.




