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China pode ter base militar escondida na Bahia e ninguém sabia disso

Por Pedro Silvini
07/03/2026
Em Geral
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acordo Brasil-China

(Reprodução/AFP)

Um relatório divulgado por uma comissão do Congresso dos Estados Unidos dedicada ao monitoramento das relações com a China afirma que o Brasil poderia abrigar uma instalação com potencial de uso militar chinês na Bahia. O documento cita a chamada Tucano Ground Station (Estação Terrestre de Tucano), que supostamente estaria localizada em Salvador, na sede da empresa brasileira Ayla Space.

Segundo o texto, a estrutura seria resultado de uma parceria firmada em 2020 entre a Ayla Space e a empresa chinesa Beijing Tianlian Space Technology, do setor aeroespacial. Oficialmente, o projeto teria como finalidade a análise de dados de satélites de observação da Terra em território brasileiro.

O documento, intitulado “Drawing Latin America into China’s Orbit” (“Trazendo a América Latina para a órbita da China”), classifica a estação como “não oficial” e sugere que ela poderia ser utilizada para fins de vigilância em tempo real.

Uma das bases da China na América Latina (Reprodução/Getty Images)

De acordo com a comissão norte-americana, a estrutura teria capacidade de:

  • Rastrear objetos espaciais na América do Sul;
  • Identificar ativos militares estrangeiros;
  • Apoiar atividades de inteligência aeroespacial;
  • Influenciar a doutrina espacial militar brasileira.

O relatório sustenta que instalações desse tipo podem ter aplicações de “uso duplo” — civil e militar — conceito frequentemente associado à estratégia chinesa de fusão entre setores civis e de defesa.

Outras instalações citadas

Além da suposta estação na Bahia, o documento menciona o Laboratório Conjunto China–Brasil de Radioastronomia, localizado na Serra do Urubu, na Paraíba. O centro opera em parceria com universidades federais brasileiras e, segundo os autores do relatório, poderia ter aplicações estratégicas por envolver observação do espaço profundo.

O texto também lista ao menos 11 instalações com participação chinesa na América Latina — em países como Argentina, Venezuela, Bolívia e Chile — que, na avaliação do comitê, poderiam ter potencial militar.

Repercussão e contexto geopolítico

Até o momento, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil não se pronunciou oficialmente sobre as alegações. A China, por sua vez, afirmou que suas cooperações na América Latina têm caráter civil, voltadas para monitoramento climático, agricultura e prevenção de desastres.

O relatório surge em um momento sensível nas relações internacionais. O Brasil é o maior parceiro comercial da China na América Latina e mantém acordos tecnológicos e estratégicos com Pequim. Ao mesmo tempo, enfrenta crescente escrutínio dos Estados Unidos sobre sua aproximação com o país asiático.

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Pedro Silvini

Pedro Silvini

Jornalista com formação em Mídias Sociais Digitais, colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.

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