Uma das áreas do planeta em que podemos observar melhor os efeitos das mudanças climáticas é na Antártida. Um exemplo simples é a chuva no continente gelado, um acontecimento raro… mas que está começando a se tornar mais comum por lá. É o que revela um artigo publicado no The Conversation e escrito por Bethan Davies, professora de glaciologia da Universidade de Newcastle, na Inglaterra.
Segundo o artigo, já está chovendo com mais frequência na Península Antártida, porção ao extremo norte do continente. Essa península é a parte mais quente da Antártida e ela está se aquecendo muito mais rápido do que o resto do continente e do que a média global graças a emissões de gases do efeito estufa e ao aquecimento global.
Davies explica que ela e sua equipe de cientistas descobriram que, à medida que a Península Antártida se aquece, também aumenta a precipitação sob essa parte do planeta. E essa precipitação vai ser cada vez mais em forma de chuva do que de neve.
Como a chuva pode mudar a paisagem da Antártida
“Neve não gosta de chuva”, resume o artigo. A chuva traz calor, derrete e lava a neve, tirando o alimento dos glaciares. Essa água derretida também pode chegar ao leito do glaciar, contribuindo para que eles deslizem mais rapidamente e aumentando o desprendimento dos icebergs, desestabilizando a plataforma de gelo.
“A formação de poças de água derretida esteve envolvida no colapso das plataformas de gelo Larsen A e B no início dos anos 2000”, explica o The Conversation. A perda do gelo marinho enfraquece amortecedores naturais que atenuam as ondas do oceano e diminui o habitat natural de algas e krill, reduzindo as plataformas de reprodução para pinguins e focas.




