O mercado automotivo brasileiro começou 2026 com um movimento que tem chamado a atenção da indústria global: o avanço acelerado das montadoras chinesas no país. Enquanto o total de emplacamentos de veículos registrou crescimento moderado de 8,7% em fevereiro em relação a janeiro, as marcas da China avançaram 5,9% no mês e impressionantes 73,2% na comparação com fevereiro de 2025.
Os dados fazem parte de um levantamento da K.LUME Consultoria, que aponta uma mudança significativa na dinâmica competitiva do setor automotivo brasileiro.
Ao todo, 176.472 veículos foram emplacados no Brasil em fevereiro, sendo 140.592 carros de passeio e 35.880 comerciais leves.
Segundo o estudo, o crescimento mensal foi puxado principalmente pelos automóveis de passeio, que avançaram 12,3%, enquanto os comerciais leves registraram queda de 3,5% no período.
No comparativo anual, porém, o avanço geral foi mais moderado: alta de 4,3% para carros de passeio e queda de 8,6% nos comerciais leves.
Mesmo assim, o grande destaque ficou para as montadoras chinesas, que ampliam rapidamente sua presença no mercado brasileiro.
Montadoras chinesas aceleram expansão
A expansão começou a ganhar força após a chegada de marcas como BYD e GWM, que já iniciaram a montagem de veículos no Brasil.
Outras fabricantes também anunciaram planos de produção no país, incluindo:
- Leapmotor, que utilizará a fábrica de Goiana (PE), ligada ao grupo Stellantis
- Geely, que produzirá em parceria com a Renault em São José dos Pinhais (PR)
- Changan, que deve atuar em parceria com a Caoa
Nos últimos anos, diversas marcas chinesas desembarcaram no mercado brasileiro, entre elas Omoda Jaecoo, Zeekr, GAC, MG, Denza e Jetour, ampliando a competição no setor.
Em 2025, por exemplo, quase 190 mil veículos chineses foram vendidos no país, número que tende a crescer com a ampliação da produção local.
Mudança tecnológica no setor
Outro fator que explica a expansão dessas montadoras é o investimento em tecnologias de eletrificação.
Em fevereiro, o Brasil registrou:
- 15.009 híbridos leves
- 2.367 híbridos plug-in
- 344 elétricos puros
- 8.321 elétricos plug-in
Apesar disso, os carros com motor a combustão ainda dominam o mercado, com 148.385 unidades registradas no mês.
Perspectivas para 2026
Mesmo com o avanço das marcas asiáticas, as projeções para o setor automotivo brasileiro indicam crescimento moderado ao longo do ano.
A Fenabrave estima expansão de cerca de 3% nas vendas de veículos leves em 2026, enquanto a Anfavea projeta aumento de 3,7% na produção, que pode atingir 2,58 milhões de unidades.




