Paralisada desde maio de 2022, a fábrica da Caoa Chery em Jacareí, no interior de São Paulo, permanece sem operação e passou a ser conhecida no setor automotivo como uma “fábrica fantasma”. Projetada para produzir até 150 mil veículos por ano, a unidade nunca retomou as atividades após a suspensão anunciada sob justificativa de modernização.
Na prática, a retomada esbarra em um obstáculo central: o alto custo de reativação. Especialistas apontam que seria necessário praticamente reconstruir a lógica industrial da planta, com novos equipamentos, atualização tecnológica e adaptação para modelos mais modernos, incluindo veículos híbridos e elétricos.
Inaugurada em 2014 como a primeira fábrica da Chery fora da China, a unidade de Jacareí representava um marco na expansão da montadora no Brasil. A operação ganhou novo rumo em 2017, quando a Caoa assumiu o controle da joint venture, formando a Caoa Chery.
No período em que esteve ativa, a planta produziu modelos como Tiggo 2, Tiggo 3X, Arrizo 5 e Arrizo 6. Apesar do potencial, nunca operou perto da capacidade máxima e foi perdendo importância dentro da estratégia do grupo.
Com o tempo, a empresa passou a priorizar investimentos em outras unidades, como a fábrica de Anápolis (GO), considerada mais eficiente por já contar com estrutura consolidada, fornecedores instalados e incentivos fiscais.

Futuro indefinido e interesse do mercado
Mesmo sem previsão de retomada, a fábrica segue despertando interesse. Em 2025, a montadora brasileira Lecar formalizou à prefeitura de Jacareí a intenção de assumir a unidade, caso haja desapropriação.
A proposta prevê transformar o local em um polo de produção de veículos sustentáveis, com foco em modelos híbridos flex, além da criação de um centro de pesquisa e desenvolvimento e geração de empregos.
Enquanto isso, o cenário envolvendo a própria Chery também levanta dúvidas. A montadora chinesa tem expandido a presença no Brasil com novas marcas, como Omoda & Jaecoo e Jetour, operando fora da parceria com a Caoa e ainda busca uma base industrial local.
Apesar de rumores sobre possível reutilização da área, nenhum anúncio oficial foi feito até o momento. Assim, a fábrica de Jacareí segue como um símbolo de um projeto ambicioso que perdeu força, e cujo futuro ainda permanece em aberto.




