A uma profundidade superior a 1,5 quilômetro, no leito do Oceano Pacífico, próximo à Ilha de Vancouver, no Canadá, uma equipe de biólogos marinhos identificou um fenômeno inédito para a ciência. Trata-se de um vulcão submarino em atividade que passou a ser utilizado por raias como um ambiente natural para a incubação de seus ovos.
A estrutura vulcânica, classificada como um monte submarino, eleva-se aproximadamente 1,1 quilômetro acima do assoalho oceânico e integra um ecossistema onde condições extremas parecem favorecer a reprodução de uma espécie de águas profundas.
No cume dessa formação geológica, os pesquisadores documentaram uma concentração expressiva de ovos pertencentes à raia-branca-do-Pacífico. As estimativas indicam a presença de mais de 1 milhão de ovos em estágio de incubação, cada um medindo cerca de 50 centímetros de comprimento.
Em condições habituais de águas frias das profundezas, o período de desenvolvimento embrionário dessa espécie pode se estender por anos. No entanto, a emissão de fluidos geotérmicos pelo vulcão eleva a temperatura no entorno imediato, criando um microambiente térmico mais estável que acelera o processo de maturação dos embriões.
Escolha do local
A escolha do local para a desova levanta questionamentos sobre os mecanismos adaptativos que conduzem à utilização de ambientes vulcânicos ativos para fins reprodutivos. Os cientistas envolvidos na descoberta propõem três hipóteses principais para explicar o comportamento.
A primeira aponta para a redução no tempo de desenvolvimento embrionário proporcionada pelo calor geotérmico. A segunda sugere que a topografia acidentada do cume vulcânico atua como barreira física contra correntes oceânicas e potenciais predadores.
A terceira considera a possibilidade de que a composição mineral da água liberada pelas fontes hidrotermais exerça influência positiva sobre a viabilidade dos embriões.




